RETROSPECTIVA 2017

13 crimes que chocaram os maranhenses

Você lembra do ataque aos índios Gamela, o assassinato de Alanna Ludmila e do ex-prefeito de Barra do Corda, Nenzim? Confira nossa retrospectiva dos principais casos de crimes de 2017

Foto: Reprodução

2017 chega ao fim e com ele uma bagagem de casos de grande repercussão. Os dados, no entanto, apontam que os crimes foram menores com relação ao ano passado. Segundo divulgado pela Secretaria de Segurança Pública, o número de crimes violentos foi de 65 em janeiro e 59 em novembro. Houve uma queda de 31% em novembro, com relação ao mesmo periódo no ano passado. Relembre os casos que mais repercutiram ao longo deste ano.

Onda de estupros e assaltos na UFMA

O clima de medo e insegurança se instalou dentro do Campus Bacanga da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em abril de 2017, quando uma onda de assaltos e estupros assustou os estudantes. Em menos de quatro dias foram registrados dois assaltos seguidos de estupro dentro da instituição. Além disso, diversos assaltos ao ônibus que faz linha para a universidade foram denunciados. Estudantes e entidades estudantis reivindicaram mais segurança à UFMA. O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação contra a universidade e o estado do Maranhão para exigir providências no sentido de garantir a segurança de discentes e funcionários. Um homem de 33 anos e um menor foram presos.

Conflito entre fazendeiros e índios Gamela

No dia 30 de abril uma aldeia indígena da etnia Gamela foi atacada por dois homens munidos com facões e armas de fogo em um área localizada no Povoado das Bahias, em Viana. A região é disputada por ambas as partes: indígenas pedem a demarcação, fazendeiros alegam ser donos das terras. Ao total, 13 índios foram feridos no ataque. Entidades governamentais visitaram o local para definir a demarcação das terras. No último dia 22 de novembro, indígenas vieram a São Luís e fecharam Avenida Santos Dumont, onde fica localizada a sede do Incra, para pedir agilidade no processo de demarcação.

Roberto Elísio é condenado por espancar a mãe idosa

Outro caso de grande repercussão foi a agressão do bacharel em Direito Roberto Elísio Coutinho contra a própria mãe, a professora aposentada Joseth Coutinho Martins de Freitas, de 84 anos de idade. Circulou nas redes sociais em maio deste ano um vídeo, gravado pela companheira de Elísio, onde mostra ele ameaçando e batendo na idosa. No vídeo, o agressor ainda diz que vai internar a mãe e acrescenta: “nem pra tu morrer logo, né?”. Após denúncia feita pelo filho, Roberto Elísio foi indiciado por tortura à pessoa idosa e foi condenado a 10 anos de prisão em regime fechado.

A ‘justiça’ das facções nas periferias da capital

Em alguns muros da capital maranhense, membros de facções criminosas vêm fazendo ameaças a integrantes das próprias facções ou facções rivais que cometam atos infracionais contra moradores de suas comunidades. Foto: Honório Moreira.

Foto: Honório Moreira.

Desde o início de junho, vários vídeos circularam na internet, onde bandidos ‘justiceiros’ punem criminosos que cometem assaltos em área demarcada como proibida – onde facções criminosas atuam. O “tribunal do crime” se espalhou por diversos bairros da região metropolitana punindo com tiros nas mãos ou pés de quem não cumpre as regras. Nos muros, era possível ver as ameaças. A Polícia Militar registrou seis casos onde a justiça das ruas ditou as regras . 28 pessoas foram presas nos principais pontos de atuam das facções. Outras quatro foram presas em agosto, suspeitos de receber ordens de dentro do Complexo Penitenciário de Pedrinhas para executar as punições.

Dj maranhense é assassinado em brasilia 

Parentes e amigos de Yago Sik pedem justiça. Foto: Correio Brasiliense

No início de julho, um crime por motivo fútil deixou um jovem maranhense morto em Brasília. O dj Yago Linhares Sik, de 23 anos, foi assassinado na saída de uma festa ao defender uma amiga que estava sendo agredida fisicamente pelo assassino confesso, Lucas Albo, também de 23 anos. Segundo os organizadores do evento, Lucas então foi expulso da festa pelos seguranças e esperou a vítima com uma arma do lado de fora da casa noturna, e ao vê-lo efetuou dois disparos . Após ser preso, o assassino confessou o crime, mas disse que não tinha intenção de matar, mas apenas ‘dar um susto’. Lucas segure preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde aguarda julgamento.

Vereador é encontrado morto em governador nunes freire

Um crime de pistolagem matou um vereador de Governador Nunes Freire em agosto deste ano. Kedson Rodrigues (PPS) foi encontrado em um matagal com perfurações de facas e tiros. O vereador estava com todos os seus documentos e uma certa quantia em dinheiro no bolso, o que reforçou a tese da polícia de o crime ter sido encomendado. Esse é o segundo vereador que é executado. Em 2016, o vereador Esmilton Pereira dos Santos, de 45 anos, foi assassinado com tiros ao chegar em casa.

Suspeito de agenciar garotas de programa é preso 

Também em agosto, um homem acusado de rufianismo foi preso em flagrante ao fazer o seu próprio apartamento como ponto de encontro para agenciar garotas de programa. Elbo Bayma de 23 anos, foi detido após inúmeras denúncias feitas por vizinhos. Nas redes sociais o rapaz não fazia a mínima questão de esconder a sua condição de ‘cafetão’ e se apresenta como empresário, ostentando riqueza sempre ao lado de belas mulheres, quase sempre seminuas. Em seu perfil no Instagram, com quase 50 mil seguidores, ele inclusive posta vídeos obcenos das acompanhantes. Elbo foi solto ao pagar fiança de um salário mínimo.

Maranhense, esposa do traficante “Nem”, é presa no Rio de Janeiro 

A xerifa do tráfico no Rio de Janeiro é uma maranhense e foi presa em outubro deste ano. Uma operação da Polícia Civil resultou na prisão de Danúbia de Souza Rangel, mulher do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o famoso “Nem da Rocinha”. Danúbia foi presa na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Natural de Perimirim, Danúbia, conhecida como a “Xerifa da Rocinha”, foi um dos principais pivôs da guerra entre traficantes no mês de setembro. Ela foi presa no dia em que tentava retomar o controle da favela, que havia sido tomada pelo traficante Rogério Avelino da Silva, o “Rogério 157”. Danúbia era quem dava as ordens no tráfico, a mando de Nem, até perder o poder para Rogério 157. Ela foi condenada da 28 de anos de prisão em regime fechado, por crime de tráfico de drogas e organização criminosa.

Morte de Alanna Ludmila 

O caso que chocou a população de Paço do Lumiar e do Maranhão, a morte da menina de apenas 10 anos, Alanna Ludmila Borges Pereira, ocorreu em 1º de novembro de 2017. Alanna desapareceu após a mãe sair para uma entrevista de emprego. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado enterrado no quintal da sua casa, e o principal suspeito de assassinar a menina era o seu ex-padastro, Robert Serejo. O caso tomou uma grande projeção na internet e na mídia. A polícia encontrou Robert, então já foragido e tentando uma fuga na saída de São Luís. O assassino confessou ter estuprado, assassinado e ocultado o corpo da menina. Robert se encontra recluso em isolamento no Complexo Penitenciário de Pedrinhas.

Lúcio André espanca mulher, paga fiança e é liberado

O caso de agressão do irmão do prefeito de Pinheiro, Lúcio André Genésio, contra a ex-mulher, a advogada Ludmila Ribeiro segue sem solução. Lúcio espancou a ex-esposa com cotoveladas e socos, quebrou seu celular e quase atropela a jovem por ela se recusar a postar uma foto do casal. Ludmila foi agredida verbalmente e fisicamente por duas vezes. Além do caso registrado em novembro, o empresário já havia agredido a advogada quando ela ainda estava grávida do filho do casal. Lúcio pagou fiança de pouco mais de R$ 4 mil e foi liberado. A polícia continua buscando o foragido, sem pistas do seu paradeiro.

MA registra 33 casos de feminicídio só este ano 

Feminicídio no Maranhão

#TVImparcial O Brasil registrou mais de 3 mil casos de violência contra mulheres entre 2016 e 2017. No Maranhão, já foram 30 casos de feminicídio em 2017. O que fazer para mudar esse cenário?

Posted by O Imparcial on Sunday, 19 November 2017

Em 2017, cerca de 33 casos de feminicídio e 2.537 ocorrências de violência foram registradas na Delegacia Especial da Mulher (DEM). Esse número é maior que o do ano passado, em que foram registrados 26 casos. De acordo com o mapa da violência, o Brasil é o quinto país no mundo onde mais ocorre morte violenta de mulher. O número de vítimas do sexo feminino no Maranhão, mortas por seus companheiros, tem aumentado em proporção alarmante nos últimos 10 anos. Os homicídios causados por desequilíbrios emocionais, com uso da força masculina, tornaram-se mais frequentes.Dispositivos, mecanismos e equipamentos estão sendo colocados em prática para combater esse tipo de crime, como a criação do Departamento de Feminicídio do Maranhão e a a Lei 10.700 de 19 de outubro de 2017, que institui o 13 de novembro como Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. Além disso, foi inaugurada no dia 14 de novembro a Casa da Mulher Brasileira, espaço especializado em atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência, previsto na Lei Maria da Penha.

Quatro homens assaltam faculdade e fazem reféns

No dia 16 de novembro, estudantes da Faculdade Pitágoras, no Turu, viveram momentos de pânico. Quatro homens armados invadiram as dependências da instituição, roubaram celulares, relógios, calculadoras científicas e fizeram os alunos de refém. Um dos assaltantes foi identificado como aluno da própria instituição. Durante o assalto, houve troca de tiros e um aluno, que seria policial militar, entrou em confronto com os bandidos, e ficou ferido. Os assaltantes foram presos horas depois nas imediações da ocorrência.

Ex-prefeito de barra do corda, nenzim, é assassinado

No início do mês, outro crime chocou o Maranhão pela crueldade e frieza. O ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano Sousa, mais conhecido como Nenzim, foi assassinado a tiros pelo próprio filho, Mariano Júnior, o ‘vaqueirinho da barra’. Mariano se fez presente na cerimônia de velório e enterro do pai e após tomar conhecimento de que estava sendo procurado pela polícia, fugiu. Dois dias depois, Júnior foi encontrado e encaminhado à delegacia de Barra do Corda. Mariano Júnior sempre foi muito ligado ao pai, mas nos últimos tempos, conflitos de interesse fragilizaram a relação. Segundo concluiu a polícia, o crime foi motivado por uma dívida contraída por Júnior no período eleitoral de 2016, quando foi candidato à prefeito de Barra do Corda. Ele estaria então vendendo cabeças de gado da fazenda do pai para sanar as dívidas e quando se viu pressionado ao saber que o pai estava prestes a descobrir, cometeu o crime.

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