Brasil · saúde pública

Senado aprova Projeto de Lei que restringe aborto legal após 22 semanas de gestação

Proposta altera Código Civil para garantir “direito inviolável ao nascimento” do feto após cinco meses e meio, impactando casos hoje permitidos por lei e pelo STF

Senado aprova Projeto de Lei que restringe aborto legal após 22 semanas de gestação

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (15/10), o relatório do Projeto de Lei (PL) n° 2.524/2024, que visa estabelecer a proibição do aborto legal em gestações que ultrapassem 22 semanas (o equivalente a cerca de cinco meses e meio). A restrição se aplicaria mesmo às hipóteses de interrupção permitidas pela legislação vigente.

O projeto, de autoria do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e relatado por Eduardo Girão (Novo-CE), propõe alterações no Código Civil. A principal mudança estabelece que, após 22 semanas de gestação, “o nascituro terá direito inviolável ao nascimento sadio e harmonioso”.

Atualmente, o ordenamento jurídico brasileiro e a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) garantem o aborto em três situações: quando há risco de vida para a gestante, em casos de gravidez resultante de estupro e quando o feto é anencéfalo. Pela redação da proposta aprovada, nos casos em que a vida da mãe estiver em risco, em vez da interrupção da gestação, seria realizada uma “tentativa de antecipação do parto e de manutenção da vida extrauterina da pessoa recém-nascida”.

O texto do PL, contudo, não aborda o procedimento a ser adotado nas situações de gravidez oriunda de estupro ou de fetos anencéfalos. A aprovação do projeto na CDH ocorreu de forma simbólica, e a matéria segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e, em seguida, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde terá caráter de deliberação terminativa no Senado.

Leia também:

Clique AQUI para acessar o Grupo de Notícias do O Imparcial e fique por dentro de tudo!

Siga nossas redes, comente e compartilhe nossos conteúdos: