METEOROLOGIA

Fortes chuvas são consequência do fenômeno La Niña

Apesar do grande volume de chuvas, o nível ainda não pode ser considerado acima da normalidade, segundo especialista do Núcleo de Meteorologia da UEMA

Foto: Reprodução

O grande volume de chuvas que têm atingindo o Maranhão na primeira quinzena de abril é uma consequência de um fenômeno chamado de La Niña, afirma o Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Só no atual período chuvoso, cerca de 20 municípios do estado já foram atingidos por inundações e alagamentos.

O que é o La Ninã?

O La Niña é um fenômeno oceânico-atmosférico que tem características opostas ao El Niño e que se apresenta como um esfriamento anormal das aguas superficiais do Oceano Pacífico, na região tropical. Segundo o site Climatempo, desde outubro do ano passado, o oceano Pacífico vem apresentando uma temperatura abaixo da normalidade (abaixo de -0,5°), o que deve contribuir ainda para um grande volume de chuvas durante a segunda quinzena de abril e o mês de maio .

Chuvas no Maranhão

Segundo o Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadual do Maranhão, do início de abril pra cá já choveu cerca de 274 ml³, 60% do previsto para todo o mês.

Apesar do nível ser considerado normal, o meteorologista Alan Cerqueira, do Laboratório de Meteorologia da UEMA, justifica que em algumas regiões pode chover mais do que outras, porque “o calculo é feito para uma base mensal, diariamente pode haver muita variabilidade”. “Principalmente na capital, há umas regiões que chove muito mais do que outras”, afirma o especialista.

Essa variabilidade, segundo Alan, é principalmente motivada pelos oceanos e pelos rios, que influenciam na distribuição das chuvas. “As chuvas, nos últimos seis anos, estavam muito abaixo do normal, o que faz parecer que no período chuvoso atual chove além da normalidade, mas o que temos visto é o esperado para o período”, completa.

Outro motivo que tem influenciado na ocorrência de chuvas mais severas, principalmente nos últimos 15 dias, é a presença do fenômeno La Niña, responsável por grande parte dos invernos pesados ao redor do mundo. “O fenômeno até ativo não só no Maranhão, mas também em grande parte da região norte e nordeste”, comenta o meteorologista.

Até o último levantamento realizado pela Defesa Civil estadual, cerca de 2 mil famílias já foram afetadas pelo grande volume de chuvas no interior do estado. Confira a lista de famílias afetadas por município:

Marajá do Sena – 185 famílias afetadas
Pedreiras – 116 famílias afetadas
Trizidela do Vale – 205 famílias afetadas
Presidente Vargas – 300 famílias afetadas
Brejo – 200 famílias afetadas
Bacabal – 87 famílias afetadas
Imperatriz – 15 famílias afetadas
Tuntum – 335 famílias afetadas
Caxias – 12 famílias afetadas
Codó – 68 famílias afetadas
São João do Sóter – 483 famílias afetadas

O Governo do Estado  informa que está prestando assistência e ajuda humanitária, que inclui distribuição de mantimentos, cestas básicas de alimentos, medicação e itens como roupas, colchonetes, filtros e água.

Para os municípios em Situação de Emergência, serão destinados recursos no valor de R$ 5 mil reais para cada uma das famílias afetadas. Os beneficiados passarão por triagem técnica realizada pelo Corpo de Bombeiros.

Desde o início de abril, a chuvas já provocaram danos aos municípios de Marajá do Sena, Pedreiras, Trizidela, Caxias, Lago dos Rodrigues, Presidente Vargas, Brejo, Bacabal, Imperatriz, São João do Sóter, Tuntum, Codó e Formosa da Serra Negra. Além destes , outros sete municípios estão em estado de alerta, são eles: São Luís Gonzaga, Rosário, Timbiras, Cantanhede, Nina Rodrigues, Paulino Neves e Araioses.

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