Justiça · processo

STJ julga disputa de 26 anos por direitos autorais envolvendo Xuxa

Corte decide como será calculada indenização em ação sobre uso de personagens infantis ligados às comemorações dos 500 anos do Brasil.

Disputa judicial por direitos autorais envolvendo a apresentadora Xuxa Meneghel chega ao Superior Tribunal de Justiça após 26 anos e pode ter valor da indenização definido nesta semana. Foto: Divulgação.
Disputa judicial por direitos autorais envolvendo a apresentadora Xuxa Meneghel chega ao Superior Tribunal de Justiça após 26 anos e pode ter valor da indenização definido nesta semana. Foto: Divulgação.

Após mais de duas décadas de disputa judicial, o processo que envolve a apresentadora Xuxa Meneghel e o empresário Leonardo Soltz entra em uma fase decisiva no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A 3ª Turma da Corte julga nesta terça-feira (10) um recurso que pode definir o valor da indenização em uma ação que discute o uso de personagens infantis ligados às comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil.

Soltz sustenta que o projeto “Turma do Cabralzinho”, apresentado em 1999 à produtora da apresentadora, teria servido de base para a criação da “Turma da Xuxinha”.

Personagens da “Turma do Cabralzinho”, projeto apresentado em 1999 pelo empresário Leonardo Soltz e que está no centro da disputa judicial por direitos autorais envolvendo a apresentadora Xuxa Meneghel. Foto: Reprodução.

A existência da violação já foi reconhecida nas instâncias anteriores da Justiça. Segundo o advogado especialista em propriedade intelectual Marco Tulio Castro, que representa o autor da ação, o debate atual no STJ não trata mais da ocorrência da infração, mas apenas do cálculo da indenização.

“Este é um caso de violação de direitos autorais e de marca que já foi reconhecida pela Justiça em duas instâncias. O que está em discussão agora no Superior Tribunal de Justiça não é mais se houve ou não a violação, mas sim qual deve ser o valor da indenização”, afirma.

Personagens da “Turma da Xuxinha”, produção associada à apresentadora Xuxa Meneghel e citada no processo que discute direitos autorais em julgamento no Superior Tribunal de Justiça. Foto: Reprodução

De acordo com o advogado, decisões da primeira instância e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro também registraram críticas à forma como a empresa da apresentadora conduziu o processo ao longo dos anos. Segundo ele, magistrados apontaram estratégias que teriam contribuído para prolongar a tramitação da ação.

No STJ, a discussão se concentra na forma de cálculo da indenização. Durante julgamento virtual iniciado na Corte, o relator apresentou entendimento que, segundo a defesa do empresário, pode alterar de forma significativa o valor final da condenação.

“O relator apresentou uma tese curiosa ao sugerir que a correção monetária e os juros incidam apenas a partir da homologação do laudo pericial, o que, na prática, desconsideraria quase duas décadas de atualização do valor da indenização”, explica Castro.

Para o advogado, a decisão pode ter impacto além do caso específico. Ele avalia que o entendimento poderá influenciar disputas semelhantes envolvendo direitos autorais e marcas.

O julgamento chegou a ser interrompido após empate na votação e será retomado em sessão presencial da 3ª Turma do STJ, quando os ministros devem definir o desfecho de um dos processos mais longos do país envolvendo propriedade intelectual.