No Maranhão

64% dos municípios não possuem fossas ligadas à rede de esgoto

Os dados foram divulgados hoje, 26, pelo IBGE, na Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua). Esse número coloca o Maranhão em terceiro lugar nessa categoria

REPRODUÇÃO

Mais de 64% dos municípios maranhenses não possuem fossas ligadas à rede de esgoto, revelam dados presentes na Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nesta quinta-feira, 26.

A pesquisa traz informações referentes às características gerais dos domicílios e da população em todo o território brasileiro. No Maranhão, todos os meses, a PNAD visita mais de 4 mil domicílios em todo o estado para realizar o levantamento de informações. Os dados publicados nesta quinta são referentes à 2017.

Entre os estados do nordeste, no que diz respeito à esgotamento sanitário, o Maranhão tem o terceiro maior percentual (64,8%) de domicílios que não possuem fossas ligadas à rede de esgoto, totalizando 1,3 milhões de domicílios. O estado fica atrás apenas do Piauí (79,2%) e do Rio Grande do Norte (72,5%).

Os dados também demonstram que houve um aumento na quantidade de domicílios que possuíam rede geral de esgoto ou fossa ligada a rede. No ano de 2016, existia no Maranhão um total de 17,2% de domicílios nesta categoria, enquanto que, no ano seguinte, 2017, esse número passou para 19, 5%. Ainda com o resultado positivo, o Maranhão é o quinto estado no Brasil com o menor número de domicílios com esgotamento sanitário por rede geral ou fossa ligada à rede.

Outro dado que chama atenção, é o de posse de bens. O levantamento aponta que o Maranhão continua sendo o estado com o menor percentual de domicílios com microcomputador dentre todas as unidades da federação. Outro bem com pouca penetração nos domicílios maranhenses é a máquina de lavar roupa. Apesar da variação positiva de 25,5% para 26,7% de 2016 para 2017, o Maranhão é o penúltimo, em termos percentuais, como domicílios com acesso a esse bem.

ETE do Vinhais. (Foto: Karlos Geromy)

Segundo o analista João Ricardo, da Supervisão de Disseminação de Informações do IBGE no Maranhão, dados como esses podem refletir uma deficiência no percentual de renda dos maranhenses. “Se a gente observa a renda média do maranhense que é de R$ 1.299,00, isso está diretamente ligado ao poder de compra e consumo dele”, aponta.

Há também a grande quantidade de domicílios que ainda possuem TV de tubo, com o percentual se reduzindo de 47,5% em 2016 para 41,5% em 2017. Com esse percentual, o Maranhão continua sendo o terceiro estado com o maior número de domicílios que possuem apenas esse tipo de aparelho nos domicílios. Esses números demonstram existir uma dificuldade de acesso para determinados bens de maior valor.

Essa pesquisa é uma das mais relevantes divulgadas este ano, porque traz um panorama bem detalhado sobre os domicílios, apresentando dados sobre bens e serviços públicos básicos. Esses dados são fundamentais para os gestores estaduais e municipais formularem políticas públicas darem atenção à áreas estão um pouco aquém. Servem também para a população, que passará a ter consciência da sua realidade e a partir daí demandarem as políticas públicas dos gestores”, explica o analista.

Fontes de água

De acordo com os números, houve um aumento na quantidade de domicílios maranhenses com disponibilidade de água encanada diariamente da rede de abastecimento, passando de 71,4% em 2016 para 73,3% em 2017.

Da mesma forma, também aumentou a quantidade de domicílios com disponibilidade de água de quatro à seis vezes na semana, passando de 12,9% em 2016 para 13,3% em 2017. Por outro lado, houve diminuição na quantidade de domicílios com disponibilidade de água somente de uma à três vezes na semana: 13,9% em 2016 para 10,3% em 2017.

Destinação do lixo

 A pesquisa também trouxe dados referentes à destinação do lixo. De acordo com as estatísticas, em 50,3% dos domicílios maranhenses o lixo é coletado diretamente, enquanto que em 26,2% os dejetos são queimados dentro da propriedade. Além disso, em 18% dos domicílios o lixo é coletado em caçambas e em 5,5% dos domicílios pesquisado é dada outra forma de destinação para o lixo.

No que diz respeito apenas ao lixo que é queimado dentro da propriedade, houve uma redução da quantidade de domicílios em que é observada essa prática, passando de 594 mil (29,7%) em 2016 para 530 mil (26,2%) em 2017. Ainda assim, o Maranhão tem o segundo maior percentual, pois o maior índice é observado no Piauí (26,6%). Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro são os que apresentam o menor percentual de domicílios onde é queimado o próprio lixo: 0,8% cada um.

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