O ex-presidente Jair Bolsonaro presta depoimento nesta terça-feira (23), às 15h, no âmbito das investigações sobre uma pistola apreendida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante uma abordagem de trânsito em Taguatinga. A oitiva foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, após solicitação do delegado Thiago Boing, responsável pela condução do caso.
A oitiva será realizada no próprio imóvel onde o ex-presidente cumpre regime de prisão domiciliar humanitária — benefício concedido em março de 2026 por razões de saúde, após um quadro de broncopneumonia.
Na mesma decisão judicial, emitida na última sexta-feira (19), o ministro Moraes estipulou um prazo de 48 horas para que os advogados do ex-presidente esclareçam a rotina dos agentes responsáveis por sua segurança pessoal, especificamente sobre a dispensa ou não desses profissionais durante o período noturno, após relatos de que a equipe de segurança teria dificultado uma tentativa anterior de intimação oficial.
Detalhes da apreensão e justificativa da defesa
A arma em questão, uma pistola Glock calibre 9mm acompanhada de um carregador sobressalente, foi localizada por policiais militares na noite de segunda-feira (15), por volta das 23h30, durante uma blitz de rotina realizada no Pistão Norte, em Taguatinga.
O armamento estava no interior de um veículo Honda Civic. O condutor do automóvel identificou-se como sargento do Exército e servidor do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), alegando que o equipamento pertencia a Bolsonaro e que havia sido retirado para a realização de reparos técnicos, com devolução prevista para a manhã seguinte.
Em nota técnica enviada às autoridades, a equipe jurídica de Jair Bolsonaro confirmou a propriedade do armamento, mas argumentou que a peça apresentava um defeito mecânico no ferrolho. A defesa esclareceu que o ex-presidente solicitou o conserto ao militar sem saber que o percursor da pistola já havia sido removido previamente por assessores, condição que tornava o dispositivo inoperante no momento do transporte.
Os defensores também rechaçaram qualquer vinculação entre o episódio e o encerramento do prazo de sua prisão domiciliar, programado para o próximo dia 25 de junho. Bolsonaro cumpre pena restritiva de liberdade decorrente de condenação a 27 anos e três meses de reclusão pelo crime de liderança em tentativa de golpe de Estado no país.