Justiça · Proteção às mulheres

4ª Vara da Mulher abre Semana Justiça pela Paz em Casa com foco no fortalecimento da rede de proteção em São Luís

Mutirão realizará cerca de 80 audiências, rodas de conversa e atendimentos a vítimas até 28 de novembro

Foto: Reprodução
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A 4ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de São Luís iniciou, nesta segunda-feira (24), a 31ª Semana do Programa “Justiça pela Paz em Casa”, reunindo instituições que integram a rede de proteção às mulheres. Ao longo dos cinco dias de mutirão, serão realizadas cerca de 80 audiências de instrução e julgamento, além de atendimento e ações de conscientização no Dia Mundial de Eliminação da Violência contra a Mulher, celebrado nesta terça-feira (25).

Participaram da abertura, no Fórum Des. Sarney Costa, representantes do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, delegacias especializadas, secretarias de políticas para mulheres, assistência social, saúde e educação, Casa da Mulher Brasileira e organizações da sociedade civil.

“Sozinhas não podemos fazer nada. Quando temos uma rede fortalecida e articulada, as mulheres podem ter a garantia dos seus direitos”, afirma Vanessa Clementino Sousa, juíza titular da 4ª Vara da Mulher.

A secretária-adjunta de Enfrentamento à Violência da Secretaria de Estado da Mulher, Rhayna Saraiva, explicou o papel da instituição na rede de apoio. Representantes da Defensoria Pública reforçaram a atuação do órgão no atendimento às vítimas.

A supervisora da Casa Abrigo, Carla Lima, destacou que o espaço, mantido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão, funciona há mais de 25 anos, já acolheu mais de duas mil pessoas e atualmente recebe 15 mulheres e crianças em situação de risco gravíssimo.

Na quarta-feira (26), às 9h, a 4ª Vara da Mulher promoverá uma roda de conversa com vítimas, por meio do projeto “Mulheres Informadas: realidade restaurada”. Ainda esta semana, será firmada parceria com uma faculdade de Psicologia para formação de multiplicadores do projeto. Desde sua instalação em março de 2024, a unidade já recebeu cerca de 5 mil pedidos de Medidas Protetivas de Urgência, com mais de 80% deferidos.

A 2ª Vara da Mulher, localizada na Casa da Mulher Brasileira, também participa do mutirão, sob condução da juíza auxiliar Denise Pedrosa.

Mutirão nas demais varas
A 1ª e a 3ª Varas da Mulher realizam audiências de instrução e julgamento em quatro salas simultâneas durante toda a semana.

Na 1ª Vara, foram incluídas 38 audiências, presididas pelo juiz Reginaldo de Jesus Cordeiro Júnior e pela juíza Nivana Pereira Guimarães. Cerca de 114 pessoas serão ouvidas. Entre as vítimas, está uma dona de casa de 40 anos que denunciou ameaças de morte e violência psicológica por parte do marido.

“Depois que pedi a medida protetiva, ele melhorou o comportamento e parou com as agressões. Eu só queria que a violência parasse para vivermos em paz”, relata a vítima.

Outra mulher, costureira de 46 anos, foi agredida pelo próprio irmão ao defender o pai. Em razão do abalo emocional, ela aguardou em sala de acolhimento para não permanecer no mesmo ambiente que o agressor.

Durante o mutirão, a 1ª Vara conta com apoio de estagiários voluntários da Universidade Federal do Maranhão, treinados para acolher vítimas, testemunhas e o público.

Na 3ª Vara, presidida pelas juízas Jaqueline Reis Caracas e Marcela Lobo, cerca de 40 audiências foram agendadas.


O “Justiça pela Paz em Casa” é promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com Tribunais de Justiça, Ministério Público, Defensorias e demais instituições do sistema de justiça. No Maranhão, ocorre nas comarcas da capital e do interior, coordenado pela Cemulher/TJMA, com foco em ampliar a efetividade da Lei Maria da Penha e agilizar processos relacionados à violência doméstica e familiar.