Há 55 anos

31 de março de 1964: lembrar para não esquecer

Ainda que sem um decreto ou portaria para formalizá-la, a data volta ao calendário de comemorações das Forças Armadas após oito anos. Em São Luís, entretanto, na Capitania dos Portos e no 24º BIL, não houve e nem haverá qualquer manifestação em relação à data, segundo as assessorias de comunicação dessas instituições.

Polaridade na política

O contexto político em que aconteceu o Golpe de 1964 foi comparado por nossos entrevistados com o atual momento da política brasileira. “Havia um clima de polarização política, muito parecido com o que estamos vivenciando na atualidade entre direita e esquerda. Na época o Brasil precisava da mesma coisa que precisa hoje: de diálogo”, aponta Álvaro Maio.

O especialista segue destacando o que “inflamou” o clima no Congresso. “O Congresso Nacional negou as chamadas reformas de base, enviadas pelo presidente João Goulart. E ele, ao invés de tentar novamente, radicalizou ainda mais ampliando o clima de polaridade na Casa. O Congresso não vota e Jango acaba atrapalhando a situação, se mostrando despreparado, com certeza. Quando o presidente Bolsonaro pede para que se comemore o golpe de 64, ele também está elevando o processo de ampliação da polarização política. O presidente começou a governar agora, ele ainda tem muito o que fazer para aprovar as reformas. O que precisamos na realidade são de reformas, como precisamos naquela época. Então precisamos de diálogo”.

Para Marco Rodrigues, celebrar a data é tão absurdo quanto esperar que os alemães festejem, de forma pública e institucionalizada, a chegada de Hitler ao poder. “Trata-se de um absoluto, um disparate, que oscila entre o retrocesso perverso e a ineficiência de pensar experiências malfazejas em relação a toda forma de extremismo que usurpa a inteligência. É preciso promover a ampliação da consciência democrática, pois, mesmo com suas falhas e ambiguidades, a democracia é o meio mais eficaz de se combater inadequações”, pondera.

O professor Elvis John pondera que o período trouxe desenvolvimento para o país. “Como cidadão, defensor da democracia, eu jamais posso comemorar um golpe, porém a gente sabe que o Brasil passava por crises e o regime militar trouxe melhoras na estrutura do país. Tivemos o Milagre Econômico, como um todo na infraestrutura do país, mas entendo que é uma data que não deve ser celebrada”.

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