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Trabalho vs. descanso: por que o brasileiro não tira todas as férias a que tem direito?

Um levantamento recente revela que apenas 33% dos profissionais no Brasil usufruem integralmente dos 30 dias de férias garantidos por lei

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Embora a legislação brasileira seja uma das mais generosas do mundo no papel, a realidade do mercado de trabalho mostra um cenário bem diferente. Um levantamento recente revela que apenas 33% dos profissionais no Brasil usufruem integralmente dos 30 dias de férias garantidos por lei — ou seja, apenas 1 em cada 3 trabalhadores aproveita o descanso completo.

A mediana de dias efetivamente utilizados pelos brasileiros fica em 20 dias, mesmo com o direito de usufruir do dobro desse período.

Brasil vs. França

O Brasil só perde para a França no total de dias de férias garantidos por lei entre os países analisados. No entanto, o aproveitamento do benefício por aqui é significativamente menor:

  • França: 34 dias garantidos $\rightarrow$ 88% de aproveitamento.
  • Brasil: 30 dias garantidos $\rightarrow$ 72% de aproveitamento.

Mesmo com políticas de descanso robustas em ambos os territórios, o Brasil registra um índice de utilização 16 pontos percentuais inferior ao francês. Se por um lado os brasileiros não usam todo o período disponível, por outro eles preferem pausas mais longas quando decidem parar.

Férias prolongadas são preferência nacional

62% dos trabalhadores brasileiros tiram pelo menos um período de 11 ou mais dias consecutivos de folga por ano. Esse índice supera países historicamente conhecidos pelo forte equilíbrio entre vida pessoal e profissional, como a Suécia (55%) e a Dinamarca (51%).

O tabu das “férias de meio período”

Enquanto a flexibilização da jornada já é uma realidade consolidada na Europa, as folgas de meio período (como apenas uma tarde ou manhã livre) ainda são raras no Brasil:

  • Brasil: apenas 3% das solicitações de férias seguem esse modelo.
  • França: 11,5%
  • Reino Unido: 11,3%
  • Alemanha: 9,4%

Esse cenário evidencia a persistência de uma cultura de trabalho mais rígida no mercado brasileiro, onde predomina o formato “tudo ou nada”: ou o funcionário está produzindo ativamente, ou está totalmente afastado.

Disparidade de gênero nas licenças médicas

O estudo também mapeou o uso de licenças de saúde, revelando uma diferença acentuada entre homens e mulheres no Brasil:

  • 41% das mulheres registraram pelo menos uma licença médica no período analisado.
  • 21% dos homens apresentaram o mesmo comportamento (uma diferença de 20 pontos percentuais).

O grupo com maior frequência de afastamentos em toda a amostra brasileira foi o de mulheres entre 35 e 39 anos, com 54% de registros de licença médica.

Os dados foram mapeados pela Deel (plataforma global de RH e folha de pagamento) em parceria com a Andreessen Horowitz. O estudo global analisou registros reais de solicitações de férias e licenças de mais de 1,5 milhão de trabalhadores em 150 países. No recorte brasileiro, foram avaliados 993 pedidos de folga, concentrados principalmente nos setores de tecnologia, startups e empresas que adotam modelos de trabalho remoto ou híbrido.

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