O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira, 8, que magistrados dedicados a processos que envolvem o crime organizado desempenham uma atividade de alto risco no país. De acordo com o ministro, atualmente existem 100 juízes ameaçados no território nacional, dos quais 79 já recebem medidas oficiais de proteção.
As declarações foram dadas durante uma solenidade no Tribunal de Justiça de São Paulo voltada à criação de novas varas especializadas no combate a organizações criminosas e lavagem de dinheiro. Fachin explicou que o risco decorre não apenas das sentenças de prisão, mas principalmente das decisões que desestruturam a capacidade financeira das facções, como o bloqueio de capitais, apreensão de bens e restrições aplicadas a lideranças em presídios.
O ministro também manifestou preocupação com a segurança digital dos magistrados, citando ameaças como vazamento de dados pessoais, ataques cibernéticos e tentativas coordenadas de intimidação virtual. Segundo o presidente da Corte, essas condutas exigem atenção institucional para assegurar que não haja interferência sistêmica na independência do Poder Judiciário.
Durante o evento, Fachin defendeu ainda a necessidade de uma regulação financeira rigorosa sobre o mercado de apostas virtuais, as chamadas “bets”, classificando a associação dessas plataformas com o crime organizado como um problema grave de segurança pública.
Ele ressaltou que a estrutura dessas empresas no exterior e o uso de criptoativos geram desafios transnacionais que complicam o rastreamento financeiro e as investigações no Brasil.
Ao final do encontro, o magistrado respondeu a questionamentos sobre os recentes alertas do Ministério das Relações Exteriores a respeito de possíveis ações extraterritoriais dos Estados Unidos na América Latina devido à classificação de facções locais como grupos terroristas.
Fachin enfatizou que o Brasil possui soberania consolidada e expressou confiança de que a integridade do país prevalecerá de maneira firme perante o cenário internacional.