Política · caso master

Mendonça nega prisão domiciliar a Vorcaro e ordena transferência para Papudinha

A decisão determina que Vorcaro seja transferido no prazo de 24 horas

Defesa de Vorcaro alegava que a custódia domiciliar (em São Paulo ou Brasília) seria necessária para garantir a segurança do ex-banqueiro - (crédito: Reprodução)
Defesa de Vorcaro alegava que a custódia domiciliar (em São Paulo ou Brasília) seria necessária para garantir a segurança do ex-banqueiro - (crédito: Reprodução)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça indeferiu, nesta quinta-feira (25), o pedido de conversão da prisão preventiva em domiciliar feito pelo investigado Daniel Vorcaro — dono do Banco Master. A decisão determina que Vorcaro seja transferido no prazo de 24 horas da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para o 19° Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.

O magistrado fundamentou a manutenção da segregação cautelar na necessidade de mitigar riscos de interferência na colheita de provas e na continuidade de estratégias de ocultação e blindagem patrimonial.

Já Vorcaro havia justificado seu pedido na alegação de que estaria reformulando sua proposta de colaboração premiada e que a custódia domiciliar (em São Paulo ou Brasília) seria necessária para garantir sua segurança e a de sua família.

As autoridades rebateram os argumentos apresentados. A Polícia Federal (PF) informou que as negociações para o acordo de colaboração premiada foram oficialmente encerradas no dia 10 de junho.

No âmbito investigativo, a corporação aponta que o pai de Daniel, Henrique Moura Vorcaro, continua gerindo os interesses patrimoniais do grupo econômico sob apuração, com elementos recentes indicando movimentações financeiras compatíveis com estratégias de blindagem ou deslocamento de patrimônio.

Alinhada a esse entendimento, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ressaltou que a prisão já havia sido referendada pela Segunda Turma do STF e que, até o momento, não surgiram fatos novos que justificassem a soltura.

Detalhes operacionais

A decisão buscou estabelecer um equilíbrio entre a segurança do preso e a eficiência da investigação. A PF havia alegado dificuldades operacionais para manter o custodiado em suas dependências por tempo prolongado, enquanto a alocação em uma cela comum foi descartada devido ao risco concreto à integridade física de Vorcaro, dada a natureza do caso e a forte exposição midiática.

Como existem outros investigados da Operação Compliance Zero detidos na mesma unidade prisional, o ministro determinou a absoluta incomunicabilidade entre eles para preservar a higidez das investigações. Diante disso, a direção da Papudinha deverá informar imediatamente ao juízo qualquer episódio de ameaça, coação ou tentativa de interferência entre os presos vinculados à referida operação.

* Fonte: Correio Braziliense

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