Política · exportação

Flávio Bolsonaro diz ter tentado “sensibilizar” Trump contra “tarifaço”

Senador viajou aos EUA para pedir que sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros sejam adiadas a 90 dias das eleições presidenciais.

Flávio argumentou que impor tarifas alfandegárias a apenas 90 dias do pleito acabaria por
Flávio argumentou que impor tarifas alfandegárias a apenas 90 dias do pleito acabaria por "recompensar os responsáveis" pelas irregularidades comerciais investigadas - (crédito: Reprodução/YouTube/Flow Podcast)

O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quarta-feira (15/7), no programa Flow Podcast, que sua recente viagem aos Estados Unidos teve como objetivo principal “sensibilizar” o presidente Donald Trump para evitar a aplicação de um novo “tarifaço” contra produtos brasileiros.

A movimentação ocorre em um momento crítico: se encerra nesta quarta-feira o prazo para que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA divulgue a decisão final sobre a aplicação de sobretaxas que podem chegar a 25%.

Acompanhado de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o senador participou de uma audiência pública nos Estados Unidos no dia 7 de julho. Discursando em inglês, o parlamentar questionou o momento político escolhido para a aplicação de sanções, classificando-o como o “pior momento possível” devido à proximidade das eleições presidenciais brasileiras em outubro.

Flávio argumentou que impor tarifas alfandegárias a apenas 90 dias do pleito acabaria por “recompensar os responsáveis” pelas irregularidades comerciais investigadas, tendo em vista que o cenário político nacional deve mudar em breve.

Na entrevista ao Flow, o senador definiu a viagem como uma estratégia de negociação direta, utilizando “a arma que tinha” para tentar adiar ou cancelar as taxas, independentemente do resultado das urnas.

A investigação comercial que motivou a agenda é conduzida pelo governo americano com base na Seção 301 de sua Lei de Comércio, e avalia duas frentes distintas de sobretaxas. A primeira delas é uma tarifa de 12,5%, aplicável a mais de 60 países e justificada pela suposta falta de medidas governamentais do Brasil para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.

A segunda, de 25%, incide especificamente sobre as exportações brasileiras sob a alegação de que o país adota práticas estatais que oneram ou restringem de forma abusiva o comércio com empresas norte-americanas.

*Correio Braziliense