Política · justiça eleitoral

Cassados prefeito e vice-prefeito de Turiaçu por abuso de poder político e econômico

Justiça Eleitoral também declarou a inelegibilidade dos gestores, de duas vereadoras e determinou a realização de novas eleições no município.

Edésio Cavalcanti, prefeito de Turiaçu, tem mandato cassado. (Reprodução)
Edésio Cavalcanti, prefeito de Turiaçu, tem mandato cassado. (Reprodução)

Uma decisão da Justiça Eleitoral, publicada nessa segunda-feira (8), determinou a cassação dos mandatos do prefeito de Turiaçu, Edésio Cavalcanti, e do vice-prefeito, Adonilson Alves Rabelo, ambos do Republicanos. Por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024, os gestores se tornaram inelegíveis por oito anos.

A sentença, que cassou os diplomas da chapa, foi assinada pelo juiz Jacqueson Ferreira Alves dos Santos e atingiu ainda os mandatos da vereadora Professora Carla, também do Republicanos, e da vereadora Bianca Castro, do Solidariedade. Assim como os gestores municipais, as vereadoras não poderão disputar as próximas duas eleições municipais.

Ainda na decisão, o magistrado determinou a aplicação de multas aos envolvidos e enviou comunicado ao Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) sobre a necessidade de novas eleições no município de Turiaçu.

Entenda a decisão

A sentença provém de uma ação movida pela coligação Pela Liberdade de Turiaçu (PSB, PL, União Brasil e Federação Brasil da Esperança), sob a alegação de que a máquina da administração municipal foi utilizada para favorecer integrantes do grupo que disputou o pleito. Entre os casos mais emblemáticos está uma distribuição de pescado realizada durante a Semana Santa de 2024.

Ao analisar o caso, a Justiça concluiu que o ato ultrapassou o caráter de assistência social e foi utilizado para promoção da imagem dos candidatos, além de não seguir os critérios específicos para a concessão de benefícios em ano eleitoral.

Outro elemento considerado foi o aumento dos recursos destinados à compra de pescado ao longo dos últimos anos. Documentos reunidos no processo apontam que as despesas passaram de R$ 17,1 mil em 2021 para R$ 194,2 mil em 2023. Em 2024, ano da eleição municipal, o valor chegou a R$ 546,6 mil.

Para o magistrado, a evolução dos gastos com a ação reforçou os indícios de uso da máquina administrativa em benefício de candidaturas ligadas ao grupo político que comandava o município durante o período eleitoral.