A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (4) a terceira fase da Operação Compliance Zero, resultando no bloqueio de R$ 2,2 bilhões pertencentes a Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O montante estava oculto em uma conta em nome do pai do empresário, Henrique Moura Vorcaro, mantida na corretora Reag. A decisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que revelou que a prática ilícita persistiu mesmo após a soltura de Vorcaro em novembro passado. O magistrado destacou o contraste entre a ocultação desse patrimônio e o rombo de R$ 40 bilhões deixado pela instituição financeira, que precisou ser socorrida pelo Fundo Garantidor de Créditos.
As investigações detalham um esquema sofisticado de fraude que utilizava a captação agressiva de recursos através de CDBs com rentabilidades atípicas. Esses valores, em vez de seguirem o fluxo bancário regular, eram desviados para ativos de baixa liquidez e fundos controlados pelo próprio grupo econômico.
De acordo com o ministro relator, a empresa utilizada para a guarda dos valores é suspeita de atuar como facilitadora para a lavagem de dinheiro de organizações criminosas de alta periculosidade. O esquema era sustentado por quatro frentes de atuação: um núcleo financeiro focado em investimentos fictícios, um braço de ocultação patrimonial por meio de empresas de fachada e uma estrutura de corrupção que cooptava servidores do Banco Central para atuarem como consultores privados de Vorcaro.
Além dos crimes financeiros, a operação expôs a existência de uma milícia privada autointitulada “A Turma”. Liderado por um policial federal aposentado e um executor profissional, esse grupo era responsável por monitorar, intimidar e ameaçar autoridades, concorrentes e jornalistas que investigassem as atividades do Banco Master.
Com a descoberta de que os crimes continuaram ocorrendo no início deste ano, as autoridades apertam o cerco contra a cúpula da instituição para garantir o ressarcimento das vítimas e interromper o fluxo de lavagem de dinheiro que transita por estruturas paralelas ao sistema financeiro oficial.