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Projeto Agojies Quilombolas celebra protagonismo feminino e ancestralidade em São Luís

proposta visa evitar o afastamento de jovens mulheres das práticas ancestrais ao atingirem a vida adulta

Projeto Agojies Quilombolas celebra protagonismo feminino e ancestralidade em São Luís

O Centro Cultural e Educacional Mandingueiros do Amanhã lança, neste sábado (7), o projeto Agojies Quilombolas – Nos Batuques Imateriais, com uma programação gratuita no Centro Histórico de São Luís. A iniciativa, que conta com o patrocínio da Vale e o apoio do Ministério da Cultura, promove a valorização das tradições afro-maranhenses sob a perspectiva das mulheres. A partir das 8h30, a sede da instituição, na Praia Grande, recebe oficinas de Capoeira Angola e percussão, seguidas por uma roda de conversa sobre equidade de gênero na cultura popular e apresentações musicais que unem tradição e resistência.

O projeto foi estruturado para enfrentar a desigualdade histórica de gênero dentro de manifestações culturais, como a capoeira e o tambor de crioula. Segundo a coordenadora Olga Barros, a proposta visa evitar o afastamento de jovens mulheres das práticas ancestrais ao atingirem a vida adulta, garantindo que elas assumam funções de liderança e criação.

O nome do projeto homenageia as guerreiras Agojies do antigo Reino de Daomé e a Rainha Ná Agontimé, figuras que simbolizam a força feminina e a herança africana que fundamenta o Tambor de Mina e outras expressões do Maranhão.

O foco central da ação é a formação de 25 jovens mulheres, entre 14 e 25 anos, oriundas de comunidades quilombolas de Itapecuru-Mirim e Santa Rita. Além das oficinas de música e dança, as participantes recebem treinamento para a confecção artesanal de instrumentos como berimbaus e reco-recos, culminando no espetáculo da Banda Agojies Quilombolas, composta integralmente por mulheres.

Para as jovens integrantes, o projeto representa um marco no fortalecimento da identidade quilombola e na reafirmação de que suas vozes e histórias possuem espaço legítimo e transformador na sociedade contemporânea.

A noite de encerramento da programação contará com a apresentação da banda e uma roda de Tambor de Crioula, celebrando a conexão entre a sabedoria dos mestres e a nova geração de mulheres batuqueiras.

Ao descentralizar o protagonismo e oferecer ferramentas de autonomia para as jovens do interior maranhense, o Agojies Quilombolas consolida uma trajetória de mais de três décadas dos Mandingueiros do Amanhã na preservação do patrimônio imaterial brasileiro e no combate aos estereótipos de gênero nas artes tradicionais.