O período chuvoso já provoca atenção redobrada das autoridades no Maranhão. Com previsão de chuvas constantespara o mês de março, órgãos de proteção e segurançaintensificaram o monitoramento de rios, áreas de risco e municípios do interior que podem enfrentar enchentes e outros transtornos provocados pelo excesso de precipitação.
De acordo com o meteorologista Gunter de Azevedo Reschke, chefe do Laboratório de Meteorologia da Universidade Estadualdo Maranhão (LABMET/UEMA), o mês de março tem registrado volumes significativos de chuva em todo o estado. Segundo ele, o cenário está relacionado à atuação de sistemasatmosféricos típicos da região.
“Março está bastante chuvoso em todo o estado do Maranhão. O setor norte, que foi o último a iniciar o período chuvoso nesteano, já registra cerca de 55% do volume esperado para todo o mês”, explicou o meteorologista.
Ainda segundo Reschke, a tendência é de continuidade das precipitações nos próximos dias.
“As chuvas estão dentro da média climatológica esperada e sãoprovocadas principalmente pela atuação da Zona de Convergência Intertropical, que é o principal sistemaresponsável pelas chuvas no norte do estado. Até o fim de março, as chuvas devem continuar intensas e frequentes”, afirmou.
Municípios em situação de emergência
O aumento do volume de chuvas já impacta cidades do interior maranhense. Atualmente, três municípios — Grajaú, Lagoa do Mato e Poção de Pedras — estão em situação de emergência emrazão dos efeitos provocados pelas precipitações.
Além disso, a Coordenadoria Estadual de Proteção e DefesaCivil monitora pelo menos dez municípios considerados maisvulneráveis ao aumento do nível dos rios. Entre eles estãoPedreiras, Trizidela do Vale, Bacabal, Buriticupu, Imperatriz, Colinas, Santa Inês e São Luís Gonzaga do Maranhão.
Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA), coronel Célio Roberto Araújo, o cenárioexige integração entre os órgãos de proteção para garantirresposta rápida em casos de emergência.
Para reforçar as estratégias de prevenção e resposta, o comandante participou em Brasília de reuniões com a SecretariaNacional de Proteção e Defesa Civil, onde foram discutidasações para enfrentar o período de chuvas intensas e fortalecer o apoio às cidades afetadas.
Áreas de risco em São Luís
Na capital maranhense, a preocupação se concentra nas áreasvulneráveis a alagamentos, deslizamentos de terra e enxurradas. Levantamento da Defesa Civil aponta que 88 áreas sãoconsideradas de risco em São Luís.
De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, chefe da Comunicação do CBMMA, o monitoramento dessas regiões é permanente durante o período chuvoso.
Entre os sinais que podem indicar risco de deslizamento estãorachaduras em paredes e muros, estalos em estruturas e movimentação do solo, especialmente em áreas de encosta.
Além do risco de alagamentos, especialistas alertam que as tempestades intensas também podem vir acompanhadas de descargas elétricas, fenômeno que tem sido observado com frequência na Ilha de São Luís neste início de março. O monitoramento meteorológico indica que essas descargas estãoassociadas à formação de nuvens convectivas intensas, típicasdo período chuvoso na região costeira do Maranhão.
Ações de prevenção e alerta
Para reduzir riscos e orientar a população, a Defesa Civil Estadual já emitiu três alertas sobre chuvas intensas por meio de mensagens enviadas por SMS e WhatsApp para celularescadastrados no número 4199.
O Instituto Nacional de Meteorologia também emitiu alerta de perigo para o estado, com previsão de chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou até 100 milímetros por dia, além de ventos que podem alcançar velocidades de até 100 km/h.
Essas condições aumentam o risco de alagamentos, quedas de árvores, descargas elétricas e interrupções no fornecimento de energia.
Levantamentos do Laboratório de Meteorologia da UEMA mostram ainda que, apenas nos dez primeiros dias de março, o acumulado de chuva na Ilha de São Luís chegou a 187,8 milímetros, o que representa cerca de 41,5% da médiaclimatológica mensal, estimada em 452,8 milímetros para o período.
Recomendações à população
As autoridades orientam que moradores evitem áreas alagadas e fiquem atentos a sinais de risco em encostas e estruturas de residências. Em caso de rajadas de vento, a recomendação é nãose abrigar sob árvores e evitar estacionar veículos próximos a torres de transmissão ou placas de publicidade.
Também é aconselhado desligar aparelhos elétricos e, se possível, o quadro geral de energia durante tempestades maisfortes. Especialistas também recomendam evitar áreas abertas, praias, rios e piscinas durante tempestades, além de procurarabrigo em construções fechadas ou veículos quando houverincidência de raios.
Em situações de emergência, a população pode acionar o Corpode Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelo número199.
Com a previsão de continuidade das chuvas ao longo de março, o monitoramento das áreas vulneráveis e dos níveis dos riosdeve permanecer intenso em todo o Maranhão, enquanto osórgãos de segurança e defesa civil mantêm equipes de prontidãopara atendimento à população.