O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, defendeu nesta terça-feira (17) a criação de um novo programa de apoio a exportadores brasileiros impactados por tarifas impostas pelos Estados Unidos.
A proposta, chamada de “Brasil Soberano 2”, ampliaria o alcance do programa lançado em 2025, incluindo não apenas empresas exportadoras, mas também setores estratégicos e áreas com déficit na balança comercial.
Segundo Mercadante, o principal problema não está na aplicação generalizada de tarifas, mas nas situações em que produtos brasileiros enfrentam taxas superiores às de concorrentes internacionais.
“Quando é para todos, não desequilibra a relação de comércio. O problema é quando você tem uma tarifa superior aos seus concorrentes”, afirmou.
Ele destacou que setores como siderurgia, alumínio e cobre ainda enfrentam tarifas de até 50%, enquanto o setor automotivo e de autopeças é taxado em cerca de 25%, com base na legislação americana conhecida como Seção 232.
Recursos disponíveis
Durante apresentação do balanço financeiro de 2025, no Rio de Janeiro, Mercadante informou que o programa original financiou cerca de R$ 19,5 bilhões para 676 empresas, mas ainda há aproximadamente R$ 6 bilhões disponíveis.
Segundo ele, esses recursos poderiam ser utilizados em uma nova versão do programa, sem impacto adicional ao orçamento público, desde que haja autorização legal.
“É um tema urgente e relevante que pode ser feito com Medida Provisória”, disse.
O presidente do BNDES afirmou que já há diálogo com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o Ministério da Fazenda, cabendo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a decisão final.
Mercadante também citou o impacto de conflitos internacionais, como a Guerra da Ucrânia e tensões recentes envolvendo o Irã, destacando a necessidade de maior resiliência econômica.
Segundo ele, setores estratégicos, como o de fertilizantes, devem ser incluídos em políticas de apoio para reduzir a dependência externa e ampliar a capacidade de resposta do país.
Caso Raízen
O presidente do BNDES comentou ainda a situação da Raízen, empresa do setor de biocombustíveis que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 65,1 bilhões.
Mercadante afirmou que o banco acompanha o caso e busca contribuir para a recuperação da companhia, destacando a relevância da empresa no setor energético.
“Acreditamos que essa recuperação é possível e estamos trabalhando nessa direção”, afirmou.
Questionado sobre a possível aprovação do fim da escala de trabalho 6×1, prevista na Proposta de Emenda à Constituição nº 8/2025, Mercadante disse que o banco ainda estuda eventuais medidas de apoio às empresas.
“Estamos estudando, mas ainda não temos nenhuma informação a respeito. Vamos aguardar a decisão do governo”, declarou.
Fonte: Agência Brasil