Escritora maranhense

Professora escreve livro sobre a segunda mulher a entrar na Academia Maranhense de Letras

Gabriela de Santana, de 47 anos, dedica parte de sua vida para estudar sobre a longa carreira de Mariana Luz (1871-1960) na literatura.

Gabriela de Santana Oliveira é autora de “Mariana Luz: Murmúrios e outros poemas”. (Foto: Reprodução/Instagram)

A professora, poeta, cronista e dramaturga, Mariana Gonçalves da Luz (1871-1960), ou apenas Mariana Luz, natural do município de Itapecuru-Mirim, no Maranhão, foi quem escolheu a maranhense Gabriela de Santana Oliveira para estudar sobre ela. Pelo menos é o que conta a escritora, de 47 anos, quando questionada sobre o motivo de estar dedicando parte de sua vida para pesquisar sobre a longa carreira da segunda mulher a entrar na Academia Maranhense de Letras, que, este ano, completa 150 anos desde o seu nascimento.

“Quanto ao interesse por Mariana Luz, acho que foi ela que me escolheu. Eu comecei a estudar e simplesmente não consegui mais parar. Ela está sempre me revelando coisas novas”, conta Gabriela de Santana.

A professora, natural da capital maranhense, relata que começou a estudar sobre Mariana Luz durante sua graduação em Letras. A primeira motivação de Gabriela de Santana foi totalmente pessoal. Em 2014, Jucey Santana, pesquisadora de Itapecuru-Mirim, publicou um livro que se tornou um importante instrumento do resgate de Mariana Luz para ela.

“A questão é que Jucey Santana é minha mãe. Eu decidi me debruçar sobre o estudo que minha mãe havia feito e, a partir daí, também me apaixonei por Mariana Luz. Ao longo da minha pesquisa, percebi a necessidade, a urgência mesmo, de oferecer ao público uma terceira edição de Murmúrios, revisada e mais completa”, explica Gabriela de Santana.

Foto: Reprodução/Instagram

O livro escrito por Gabriela, “Mariana Luz: Murmúrios e outros poemas”, é o resultado de longos anos de pesquisa, que envolveu a reunião dos textos da autora, espalhados em várias fontes e da preparação desse material, tendo em vista, a publicação da terceira edição da obra.

“A obra é dividida em duas partes, em um primeiro momento há um estudo introdutório, onde apresento a vida da autora, situando-a em seu contexto histórico e destacando alguns aspectos marcantes de sua poesia. A segunda parte do livro contém os poemas de Mariana Luz”, esclarece a escritora.

Sobre seu interesse pela literatura, Gabriela de Santana conta que sempre gostou de ler e contou com o incentivo de seus pais para a leitura, o que foi fundamental para a professora.

“Quando decidi voltar a estudar, não foi difícil me decidir por Letras, e essa foi uma das melhoras escolhas que já fiz”, revela a escritora, que possui duas graduações.

Gabriela de Santana, que não tem outros livros publicados, possui artigos acadêmicos publicados em revistas especializadas da área de Literatura, mas conta que pretende lançar mais uma de suas obras. “Trata-se da minha dissertação que penso em adaptar para o formato de um livro”, afirma a professora.

Sobre Mariana Luz

Arte: Alex Muniz

Mariana Gonçalves da Luz nasceu em 1871, no município de Itapecuru Mirim, no Maranhão, onde viveu e faleceu em 1960, aos 88 anos. Professora negra, poeta, cronista e dramaturga, ao ser escolhida para ocupar um assento na Academia Maranhense de Letras, tornou-se a segunda mulher a adentrar nesta seleta casa, onde fundou a cadeira nº 32.

Entre o final do século XIX e início do XX, a artista foi presença constante na imprensa, principalmente com publicações de poesia e crônicas. Mesmo com o reconhecimento de seus pares, Mariana Luz nunca conseguiu apoio para a publicação de seu único livro de poemas – Murmúrios.

O pequeno volume Murmúrios foi finalmente publicado após o falecimento da poeta, em 1960, em uma pequena tiragem, a título de homenagem póstuma. O livrofoi reeditado trinta anos depois, novamente em uma tiragem reduzida, rapidamente esgotada.

Apesar de ter alcançado certa notoriedade em vida, de seu pioneirismo ao adentrar em um universo fortemente masculino e do valor estético de sua poética mergulhada em uma atmosfera simbolista, o nome de Mariana Luz pairou por longos anos no completo ostracismo.

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