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15 suicídios em 2 meses na Grande São Luís

Os dados, referentes à região metropolitana de São Luís, são da Unidade de Estatística e Análise Criminal, da Secretaria de Segurança Pública

Reprodução

É preocupante para a sociedade como um todo, e especialistas em saúde mental, o crescimento de casos de suicídio registrados no mundo, especialmente na Grande Ilha nesses últimos dois meses, quando maio teve seis ocorrências e o mês de junho, nove.

Os dados, referentes à região metropolitana de São Luís, são da Unidade de Estatística e Análise Criminal, da Secretaria de Segurança Pública.

Um crescimento de cinquenta por cento que não se registra só em números, mas em vidas que foram destruídas e famílias que ficaram devastadas. “Sempre que há um suicídio ou tentativa já precisamos ficar alarmados. Pois devemos evitar o efeito Werther, que se trata de um pico de emulações de suicídios depois de um suicídio divulgado. A causa número um de suicídios no mundo é o adoecimento mental. Então, depressão, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, transtornos de personalidade etc precisam ser levados muito a sério, com o devido acompanhamento profissional. Fique atento ao seu funcionamento, se perceber mudanças, quaisquer que sejam, não deixe de buscar ajuda. A pessoa que tenta suicídio, não está querendo acabar com a própria vida, quer acabar com a dor, e um profissional pode ajudar a ver alternativas à dor”, comenta a psicóloga Nathalia Batista, especialista em Avaliação Psicológica.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), quase 800 mil pessoas se suicidam por ano no mundo, uma a cada 40 segundos.  Ou seja, enquanto você está lendo esse texto, uma pessoa está cometendo esse ato, que é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade. Dos casos registrados na Grande Ilha, a maioria tinha idade entre 40 e 60 anos. “Precisamos de mais pesquisas que apontem mais claramente para o que realmente está ocorrendo. Mas entre as pessoas idosas a incidência sempre existiu, pois é um momento delicado em que muitas vezes a pessoa vai perdendo a autonomia e a independência do funcionamento de seu próprio corpo. Para muitos é um momento de muitas mudanças e precisa de acompanhamento profissional para tornar essas mudanças menos dolorosas”, aponta Nathalia Batista.

O suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros, afirma a OMS. Em muitos países, o tema é um tabu — o que impede pessoas que tentaram se suicidar de procurar ajuda.

O organismo internacional considera a prática do suicídio um problema de saúde pública e recomenda que países identifiquem os principais métodos que algumas pessoas usam para pôr fim à própria vida. Com isso, é possível restringir o acesso a esses meios. Outras medidas para prevenir esse tipo de morte é a implementação de políticas para limitar o consumo abusivo de álcool e drogas.

Segundo a psicóloga Cristina Almeida, “o suicídio pode ocorrer em qualquer faixa etária. É um problema de saúde pública que vem aumentando. É um ato que pode ser prevenido, por isso a importância do debate, das campanhas, da divulgação correta das informações sobre o assunto, de conscientizar a população sobre a forma adequada de como agir, como e onde procurar ajuda”, explica.

Política de prevenção

Na capital, o Fórum Permanente de Prevenção ao Suicídio realizou uma reunião, ontem, com vários especialistas e representantes de instituições, coordenada pela promotora Cristiane Lago, ocasião em que foram apresentados os resultados das contribuições para o Plano Estadual de Políticas Públicas sobre Prevenção ao Suicídio, e também para marcar a data para entrega oficial ao governador Flávio Dino.

Segundo a promotora, será feito um esforço para entregar anteprojeto de lei da Política Estadual de Prevenção ao Suicídio até a segunda quinzena do mês de agosto. Esta Política será focada no disposto na lei federal nº 13.819/2019 – Institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a ser implementada pela União, em cooperação com os estados, o Distrito Federal e os municípios; e altera a Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998.

Ajuda para quem precisa

Em São Luís, instituições públicas e privadas e sociedade civil organizada estão empenhadas na prevenção ao suicídio com palestras, fóruns, campanhas. O polo local do Centro de Valorização da Vida (CVV), um canal que presta apoio emocional e atua na prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente através do número 188, foi inaugurado em setembro do ano passado. O canal atende pessoas de todo o país – são cerca de 10 mil ligações recebidas por dia. O mantenedor do serviço é o Núcleo de Apoio à Vida de São Luís (Navislu).

O CVV presta serviço voluntário e gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.  Nestes canais, são realizados mais de 2 milhões de atendimentos anuais, por aproximadamente 2.400 voluntários. Além dos atendimentos, o CVV desenvolve, em todo o país, outras atividades relacionadas a apoio emocional, com ações abertas à comunidade que estimulam o autoconhecimento e melhor convivência em grupo e consigo mesmo.

Ao telefone, profissionais e voluntários escutam cada narrativa com a atenção que a pessoa precisa, 24 horas por dia. Os voluntários, da área da saúde ou não, passam por um treinamento antes de fazer o atendimento.

No Pouso Obras Sociais (Cohab), o Disk Amor Infinito – Uma Voz Amiga é um serviço de amor ao próximo disponível para quem precisa ser ouvido, receber uma mensagem de positividade, ou ainda, se for o caso, uma prece restauradora. O atendimento está sendo reestruturado e modernizado.  “Estamos vivendo um tempo de trevas. É assustador o número crescente de pessoas que por diversos motivos tiram a própria vida. Precisamos de amor e estamos aptos a escutar. Ao atendente não cabe indicar, julgar, mas orientar, fazer com que o atendido encontre suas próprias respostas”, aponta Moab José, idealizador do serviço.

O Ministério da Saúde (MS) pretende atingir a meta de reduzir em 10% os óbitos por suicídio até 2020. E segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 90% dos casos de suicídio poderiam ser prevenidos.

Onde procurar ajuda

  • Centro de Valorização da Vida (CVV) – www.cvv.org.br
  • Ligue 188 – Você pode conversar com um voluntário do CVV
  • CAPS – Centro de Atenção Psicossocial
  • CRAS – Centro de Referência de Assistência Social
  • CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social
  • Hospitais
  • Postos de Saúde
  • UPA – Unidade de Pronto Atendimento
  • Secretaria Municipal de Saúde
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