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STELLAR BANNER

Especialistas alertam sobre riscos ambientais do afundamento do navio

A Marinha do Brasil solicitou oficialmente à Capitania dos Portos do Maranhão autorização para o afundamento da embarcação previsto para o dia 12

Reprodução

Após três meses e 15 dias encalhado na Baía de São Marcos, o navio mercante Stellar Banner será afundado a 150 km da costa maranhense, ou alijado, o termo técnico náutico adequado para a operação. A Marinha do Brasil, em nota, informou que a empresa Polaris Shipping, proprietária do navio, solicitou oficialmente à Capitania dos Portos do Maranhão (CPMA) autorização para o afundamento da embarcação, cabendo às autoridades Marítima e Ambiental a apreciação e aprovação do plano. A previsão é de que a operação aconteça na sexta-feira, 12.

A preocupação dos especialistas em meio ambiente são com os cuidados que deverão ser tomados para que não haja impacto na vida marinha. 

De acordo com a Marinha, antes de afundar o navio, equipes especializadas neste tipo de operação ainda vão retirar o que sobrou de óleo na embarcação. No último dia 4, o Stellar Banner foi rebocado de onde ficou encalhado e passou a ficar em águas mais profundas.

A engenheira ambiental Larisse Aires, disse que embora seja um processo planejado, porque já foram removidos cerca de 145 mil toneladas de minério de ferro e 4.000 toneladas de metros cúbicos de óleo de embarcação, ainda em abril, deve haver sim um impacto ambiental.  “Quando a gente fala sobre alijamento de navio vale ressaltar que há sim um impacto ambiental inerente a esse processo principalmente aos seres vivos bentônicos (macroalgas, microalgas e plantas aquáticas…) e alguns micro seres menores da cadeia marinha que são imediatamente impactados, principalmente por produtos tóxicos, que envolve o óleo, a tinta do navio e etc”, disse a engenheira.

Quando a gente fala sobre alijamento de navio vale ressaltar que há sim um impacto ambiental inerente a esse processo principalmente aos seres vivos bentônicos

“Vai ser liberado um material fino nas águas”

O engenheiro ambiental Márcio Vaz, disse que, em um contexto geral, um impacto, embora menos significativo, pode ser estabelecido, segundo ele, como a turbidez das águas no entorno do casco. 

“Se não foi retirado todo o minério deixado no porão, não é grave porque o minério é material inerte, é argila, óxido de ferro. Esse material vai oxidar, vai enferrujar e vai ser liberado um material fino nas águas de entorno modificando material em suspensão que a gente chama de turbidez, só que isso não é significativo em função do volume de sedimento que seria liberado a partir desse minério no contexto de milhões e milhões de metros cúbicos de água do mar no entorno. Então, no máximo, você poderia ter uma turbidez sendo afetada localmente no entorno do casco, que não seria de forma algum impacto significativo no ambiente marinho”, disse Márcio Vaz.

Você poderia ter uma turbidez sendo afetada localmente no entorno do casco

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) disse que o plano final para alijamento do Stellar Banner segue em análise pela Marinha do Brasil e Ibama. Estão sendo considerados todos os pontos relevantes à segurança da operação, bem como ações que minimizem possíveis impactos ambientais causados em decorrência do afundamento. Todos os procedimentos e protocolos estão seguindo a “Convenção de Londres” e normas técnicas da Diretoria de Portos e Costas da Marinha. “A decisão de afundamento do navio foi da empresa armadora da embarcação, Polaris Shipping, uma vez que todas as possibilidades se esgotaram, sendo o alijamento a solução mais segura e viável, levando em consideração as severas avarias sofridas pelo navio, constatadas após análise de relatórios estruturais. A Sema vem acompanhando as tratativas e procedimentos adotados pela empresa de salvatagem desde o início do incidente marítimo, auxiliando na tomada de decisões das autoridades marítima e ambiental”, informou.

Para atestar que nenhum impacto ambiental aconteça no processo de alijamento, as embarcações AHTS (Anchor Handling Tug Supply) Bear, OSRV (Oil Spill Response Vessel) Água Marinha, OSV (Offshore Support Vessel) Normand Installer e o Navio-Patrulha “Guanabara” devem acompanhar a ação.

O alijamento a solução mais segura e viável, levando em consideração as severas avarias sofridas pelo navio, constatadas após análise de relatórios estruturais

Acidente com o navio

O navio Stellar Banner sofreu duas fissuras no casco no dia 25 de fevereiro, logo após ter saído do Terminal Portuário da Ponta da Madeira em São Luís, com destino a um comprador em Quingdo, na China. A embarcação possui capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro e tem 340 metros de comprimento, o equivalente a dois campos de futebol. O navio tinha 20 tripulantes, sendo 12 coreanos e oito filipinos. Ninguém ficou ferido.

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