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Masterchef 2024: campeão fala cenário local de gastronomia

O maranhense Zé Roberto Caju foi entrevistado da Rádio O Imparcial e falou sobre a experiência no programa, as inspirações na vida e na cozinha

(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

Em entrevista descontraída para a rádio O Imparcial, o chef maranhense Zé Roberto Caju, campeão do MasterChef Brasil 2024, compartilhou os rumos de sua carreira. Entre memórias da renomada escola francesa Le Cordon Bleu e os bastidores de sua atuação na gastronomia regional, Caju revelou como a autenticidade e o orgulho de suas raízes nordestinas guiam seus passos. Abaixo, confira os principais trechos dessa conversa.

O Imparcial – Quais foram as mudanças na tua vida e no teu trabalho que aconteceram durante esse período de um ano?

Zé Roberto Caju – Participar do MasterChef traz grandes oportunidades, acaba que você fica um pouco mais conhecido e antecipa algumas portas. Tenho feito algumas feiras de gastronomia, eventos, aulas-show, jantares privados e em alguns restaurantes. Atuei fazendo algumas frentes dessas também em São Paulo durante a etapa em que eu estava fazendo curso na Le Cordon Bleu, logo após a vitória. Voltei aqui agora para a nossa casa, nossa ilha, para poder seguir com outros projetos.

Como você concilia a gastronomia que é ali ensinada — francesa — com a própria cultura, no seu caso, a nordestina?

No fundo, gastronomia é a mesma coisa: a gente tem que atingir as pessoas com sabor e comida. Mas sim, a escola francesa é uma escola muito forte, gerou nossas bases da gastronomia, é uma referência mundial. A Le Cordon Bleu serviu para me dar as bases, para provocar, fazer você olhar para a gastronomia de uma forma grande. Entender que as bases te levam para caminhos distintos que você vai criar a partir dessas referências — no meu caso, a nordestina.

Recentemente você participou do Festival Brasil Sabor como jurado, junto com o chef Rafael Bruno. Como foi essa experiência?

É um festival muito bacana que acontece em vários estados através da Abrasel, e o Maranhão promoveu aqui. É um concurso entre os restaurantes afiliados. Estive lá e participei da final como jurado. Foi um momento muito legal avaliar do outro lado, experimentando. Acho que a passagem pelo MasterChef trouxe uma bagagem para poder avaliar de uma forma mais sólida.

Contexto regional no Maranhão e Nordeste

O Imparcial: Quando você analisa o contexto regional aqui do Maranhão e do Nordeste em comparação com 2024, consegue identificar avanços em relação à produção e a novos talentos?

Zé Roberto Caju: Cara, eu estou muito feliz com a caminhada que o nosso estado está fazendo. Nossos indicadores só vêm mostrando que cada vez mais nós somos uma região que os turistas querem conhecer, e isso impacta toda a cadeia econômica das cidades. A gastronomia também foi atingida. A gente vê vários empreendimentos sendo lançados, coisas novas aparecendo, a diversificação de sabores e muitos chefs despontando. Acho muito importante esse braço dado do turismo com a gastronomia e com a cultura, porque estamos contando aquilo que é nosso e trazendo as pessoas para fortalecer isso.

Eu vi você uma publicação sua ostentando o troféu do MasterChef. O que representa ter esse troféu?

É, tem que ostentar mesmo! Esse aí é o primeiro troféu nesse modelo novo, que é o troféu de 10 anos. Foi o meu. É o primeiro troféu grandão, bonitão assim. É um privilégio inédito ter a edição de 10 anos na minha sala. Ele tem o peso de toda a trajetória que vivi lá e, fisicamente, é bem pesado mesmo. Sempre que posso eu mostro, primeiro para incentivar as pessoas e mostrar a minha alegria.

É difícil ser nordestino nesse cenário?

Sobre esse aspecto, ser nordestino infelizmente ainda exige que a gente precise enfrentar discursos de ataque. Somos levados por alguns para uma condição inferior. Isso acontece por parte de algumas marcas, empresas ou no cotidiano. Então, quando coloco o troféu, é para mostrar a minha alegria pela vitória e mostrar para os nossos conterrâneos do Nordeste que eles podem buscar o que quiserem — o MasterChef é um exemplo, mas serve para a vida.

Tem acompanhado a edição atual do MasterChef?

Zé Roberto Caju – Eu acompanho sim todas as edições. Além de participante, sempre fui muito fã. Como já estive lá, hoje tenho outra visão: cada movimentação ou olhar que acontece ali, você já sabe o que está passando e entende o nervoso dos colegas. Sobre os participantes, ainda não tenho ninguém. Está recente, passou a fase classificatória e a primeira eliminação, então ninguém despontou ou marcou ainda. Vou ficar de olho em algumas pessoas que achei interessantes pela personalidade.

Se houvesse uma edição de campeões e a organização do programa te convocasse, você aceitaria esse convite?

Eu iria sim, dizer que não iria seria mentira. Seria uma oportunidade de ver o meu avanço, o que aprendi e viver aquilo de novo. Só que agora eu iria com menos peso. Mas voltar com a galera que ganhou ao longo de todas as edições seria um desafio, pois todo mundo já criou carreira e está muito forte. Seria especial, mas acho que não vai acontecer não. Não sei se o pessoal da Band está pensando nisso, mas acho difícil. (Risos).