Fernanda Barros (41), advogada criminalista e empresária, vive um momento de ascensão meteórica no cenário estadual. Filha do vice-prefeito de São João Batista, Willame Barros, ela carrega a herança cultural da Baixada — do folclore do “boi sanfonado” às raízes quilombolas. Embora sua base seja técnica, sua força política emana do “chão de barro”, onde aprendeu cedo que gestão pública deve ser pautada pela entrega, e não apenas por promessas.
Indignação como Combustível
Um dos momentos mais reveladores da entrevista foi a explicação sobre sua saída da Secretaria de Educação de São João Batista. Fernanda detalhou que o distanciamento da gestão municipal ocorreu devido à quebra de compromissos voltados ao bem-estar da população. Segundo a advogada, sua exoneração não foi reflexo de incompetência, mas uma reação política ao seu modelo de gestão, focado estritamente em resultados.
Com fala carregada de emoção, ela destacou que o desligamento teve um impacto pessoal profundo, mas não pela perda de status. “Fui exonerada justamente por fazer um trabalho sério. Chorei pelas pessoas, não pelo cargo”, desabafou. Para Fernanda, a indignação serviu de combustível para buscar novos espaços onde pudesse exercer uma política transformadora e pautada na palavra empenhada.
Apoio de Edinho Silva, presidente Nacional do PT
Apesar do curto período de oito meses à frente da pasta, a articuladora apresentou um legado robusto: regularização da merenda escolar, compra inédita de livros didáticos e a implementação do ponto eletrônico para modernizar a rede. Esse conjunto de ações em tempo recorde serve agora como credencial para seus novos desafios na coordenação da campanha de Lula e sua pré-candidatura a deputada federal.
No campo da gestão pública, Fernanda defende que a “boa vontade” política é o motor principal para a resolução de problemas crônicos. Segundo a advogada, a existência de recursos financeiros, por si só, não garante mudanças se não houver gestores comprometidos com a execução. “O recurso existe e cai na conta, mas falta competência e iniciativa”, provocou. Ela argumenta que a inexperiência técnica pode ser suprida pela montagem de equipes qualificadas, desde que o governante tenha a disposição real de servir à população. Para Fernanda, a gestão não deve ser um exercício de promessas vazias, mas um processo técnico humanizado que priorize o funcionamento básico de setores vitais como saúde e educação.
A Missão “Lula na Baixada”
A ascensão de Fernanda ao cenário nacional ganhou contornos claros após sua ida a Brasília. Mediada pelo deputado federal Rubens Pereira Jr., a articulação culminou em um encontro decisivo com o presidente nacional do PT, Edinho Silva. No diálogo, ela recebeu a missão estratégica de coordenar a campanha do presidente Lula na Baixada Maranhense, tornando-se peça-chave em uma região de histórico peso eleitoral.
Mais do que um título, ela se posiciona como ponte direta entre o Governo Federal e as demandas locais. Fernanda enfatiza que sua função é traduzir as políticas de Brasília para a realidade regional, utilizando como vitrine programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA). Para a advogada, fortalecer o pequeno produtor e garantir comida na mesa são as provas mais concretas do que o projeto petista pode oferecer ao interior. Ela defende que a Baixada deixe de ser vista apenas como “curral eleitoral” para se tornar um polo de investimentos estruturantes.
Protagonismo feminino
A entrevistada trouxe ao debate a urgência de uma renovação geracional e de gênero. Defendeu a necessidade de “sangue novo” nas instituições, propondo uma síntese entre a sabedoria dos veteranos e a agilidade da comunicação digital. Essa combinação seria a chave para reconectar o eleitor à vida pública, usando as redes sociais como ferramenta de transparência e prestação de contas em tempo real.
O protagonismo feminino foi outro pilar. Fernanda argumenta que a política carece do “olhar sensível” da mulher, capaz de humanizar a gestão e priorizar projetos que transformem a vida das famílias. No campo da segurança, foi incisiva: tratou o feminicídio como uma chaga que exige ações drásticas. Além de punições severas, propôs que o combate à violência doméstica se torne disciplina escolar desde cedo, rompendo ciclos culturais de abuso por meio da educação.
Estratégia: O “pé no chão” vs. Digital
No campo estratégico, Fernanda demonstra equilíbrio entre o novo e o tradicional. Com um Instagram que supera 1 milhão de visualizações, ela reconhece a força da rede para dar publicidade aos atos de gestão, mas adverte: a internet, sozinha, não vence eleições. O sucesso nas urnas ainda depende do contato direto e da capacidade de aglutinar forças. “Política não se faz sozinho”, pontuou, reforçando que a tecnologia deve apenas ampliar um trabalho que acontece na vida real, junto às comunidades da Baixada.
A matemática das urnas
Ao analisar as eleições deste ano, Fernanda Barros demonstra uma compreensão aguda de que o sucesso eleitoral no Maranhão exige mais do que carisma; exige estratégia e presença capilar. Para a articuladora, o papel dos candidatos nesta disputa transcende a busca pelo voto; trata-se de assumir a responsabilidade de interpretar as carências regionais. “Eleição tem dois fatores cruciais: o calendário, que é a regra, e a matemática, que envolve apoio, grupo e estrutura”, pontuou. Ela defende que, em um estado com as complexidades do Maranhão, o candidato precisa ser um “atrevido” no bom sentido — alguém que não apenas peça o voto, mas que festeje as conquistas junto com a comunidade, tratando a vitória não como um ganho individual, mas como um processo coletivo que envolve desde as lideranças de povoados até a cúpula nacional.