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Mania de limpeza: até que ponto é saudável?

Mesmo com assepsia recomendada por profissionais da saúde, o exagero pode se transformar em um transtorno

A mania de limpeza pode se transformar em um transtorno nesse período de pandemia. Foto: Juliany Oliveira

Álcool 70%, água sanitária e panos na mão: é assim que a técnica de enfermagem, Cleudemar de Maria começa o dia. A palavra de ordem dentro de casa  é limpeza. “Já tinha muito cuidado com a limpeza da minha casa, e com a pandemia reforcei ainda mais os cuidados”, afirma Cleudemar.

Assim como a técnica de enfermagem, em meio à pandemia de Covid-19, a população mundial está mais atenta às regras de limpeza e higienização para evitar a disseminação dessa e de diversas outras doenças. Porém, em alguns casos, essa preocupação excede o nível considerado satisfatório e se torna algo nada saudável. Nas situações mais graves, a mania de limpeza excessiva pode revelar uma doença: o TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo.

“O TOC é uma obsessão em fazer alguma atividade e a mania pode ser apenas um traço da personalidade, mas também é possível que se desenvolva para uma obsessão. Além de ser um transtorno psicológico que pode causar desconforto para a própria pessoa, essa mania de querer tudo limpo pode causar alergias em quem vive no mesmo ambiente”, enfatiza Celiane Chagas, psicóloga.

Sinais

O álcool em gel tem se tornado um grande aliado no processo de limpeza e combate a Covid-19. Foto: Juliany Oliveira

A mania de limpeza deixa de ser um costume, uma necessidade ou um hábito e se transforma em transtorno quando as ações deixam de ser saudáveis e se tornam uma obrigação diária. “Normalmente, os sintomas começam devagar e, aos poucos, vão se intensificando. Inicialmente, a pessoa começa a lavar as mãos repetidamente, e então começa a sentir que o ambiente em que se encontra pode estar sujo e começa a limpar, volta a se lavar e assim segue, a cada vez que se lembra o que pode acontecer, de hora em hora”, detalha a especialista.

Celiane destaca, ainda, que por causa dessa “obrigação” o paciente fica prejudicado em vários aspectos da sua vida. “Pela necessidade de querer estar sempre limpa, a pessoa com TOC costuma se atrasar para compromissos ou, até mesmo, nem chega a ir, ou seja, seus pensamentos obsessivos provocam problemas ainda maiores”, acrescenta.

Crianças: imunidade prejudicada

Em casa, no trabalho, na rua ou onde quer que seja, o indivíduo sempre estará em contato com micro-organismos invisíveis. O contato com esses pequenos seres presentes no ambiente, no dia a dia é, em parte, responsável por fortalecer o sistema imunológico, especialmente durante a infância, já que possuem um papel fundamental em ajudar o organismo a construir suas próprias defesas. “O contato das crianças com o ambiente e a maior exposição aos antígenos ajudam a reforçar a imunidade”, reforça a pediatra, Alinne Barros.

A médica lembra que crianças muito protegidas têm maior facilidade de contrair alguma infecção ao ter contato com ambientes abertos ou cheios de outras pessoas. Por isso, o cuidado excessivo com a higiene das crianças pode causar problemas. No entanto, isso não significa que os pais devem deixar os filhos livres na sujeira. O exagero é maléfico nos dois extremos; assim, o ideal é manter o equilíbrio.

A pediatra Alinne Barros alerta sobre a importância do aumento da imunidade principalmente das crianças.

“O excesso de higiene contribui para o aparecimento de alergias e doenças autoimunes. No entanto, a falta de higiene também faz mal. Para ter esse equilíbrio, basta permitir que o filho tenha contato com outras crianças e com a natureza, mas de forma cuidadosa; evitando que ele leve sujeira à boca, passando repelente, filtro solar e higienizando sempre as mãos e o mantendo bem hidratado. Esses são cuidados básicos, principalmente no atual momento, em que enfrentamos um inimigo invisível e muito perigoso, que exige máximo cuidado com a limpeza e hábitos de higiene, para toda a família, inclusive as crianças”, ensina a pediatra Alinne.

Tratamento

Felizmente, ao notar que algo está errado no próprio comportamento ou no de algum conhecido, é possível contar com ajuda especializada para tratar e curar o TOC. O acompanhamento pode ser feito com psicólogo ou psiquiatra. “Se necessário, o profissional de saúde pode recomendar um tratamento à base de remédios antidepressivos, que reduzem a ansiedade e a facilitam a realização da psicoterapia”, indica a psicóloga Celiane.

Em alguns casos, as pessoas afetadas pelo transtorno também sofrem de outros transtornos mentais, como ansiedade e depressão. “É fundamental que, ao perceber os primeiros sinais, ajuda profissional seja buscada para que se possa enfrentar a doença apropriadamente”, orienta a especialista.

Teste se você pode ter TOC

Se você tem mania de limpeza e, com a presença do novo coronavírus, intensificou os cuidados com a higienização do lar, fique atento aos sinais do TOC para que você não seja mais uma vítima do transtorno. Confira!

  • Gastar mais de 3 horas por dia limpando a casa diariamente;
  • Preocupação exagerada com sujeira, germes ou ácaros e estar sempre desinfetando o sofá e a geladeira, por exemplo;
  • Não deixar que se realize eventos na própria casa, porque ela precisa estar sempre limpa, a todo momento (fora do contexto do isolamento social);
  • Nos casos mais graves, você evita que a própria família circule pela casa, ficando restrita a certos cômodos, para evitar espalhar sujeira;
  • Evita receber visitas, para não sujar o chão;
  • Necessidade constante de verificar se tudo se encontra limpo ou no lugar;
  • Vontade excessiva de limpar objetos que geralmente não são limpos, como cartão de crédito, celular, embalagem, ou chave do carro, por exemplo.
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