Uma brincadeira iniciada na França, há cerca de 455 anos, ganhou os países ocidentais e é repetida, desde então, todos os anos, em 1º de abril. É o Dia da Mentira.
Mas por que essa data existe e qual é a sua origem exata? De acordo com o mestre Cláudio Fernandes é difícil precisar a data, mas sabe-se que uma decisão do rei francês Carlos IX indiretamente criou o dia das mentiras.
Carlos decidiu alterar o calendário vigente na França e em domínios do seu reinado. Saía da jogada o calendário juliano (proposto por Júlio César no século I a.C.) e entrava o gregoriano, pensado pelo Papa Gregório XIII e, portanto, influenciado pelo cristianismo católico.
A mudança alterou datas comemorativas, como o Réveillon. Até antes da segunda metade do século XVI e da alteração de Carlos, o Ano Novo nos países ocidentais era comemorado sempre em 25 de março, ocasião em que a Primavera chegava ao Hemisfério Norte. O Ano Novo nascia e era comemorado durante uma semana, de 25 de março a 1º de abril, com troca de presentes e bailes noite adentro.
A nova data de Reveillón (1º de janeiro) pegou e é usada até hoje, como você sabe. No entanto, em 1564 demorou um pouquinho mais para entrar na cabeça e nos hábitos dos súditos do rei Carlos. Assim, boa parte dos franceses continuava comemorando a virada do ano durante a passagem do mês de março para o mês de abril.
A brincadeira começa aí: quem já estava ligado no novo calendário zombava dos desavisados, que eram chamados de tolos ou “bobos de abril”. Além disso, essas pessoas que não sabiam da mudança – ou preferiam ignorá-la – eram acusadas de comemorarem de forma mentirosa a passagem do ano.
Duzentos anos mais tarde, a brincadeira chegou à Inglaterra e, daí, pulou para os demais países ocidentais.
Por George Raposo