SITUAÇÃO CRÍTICA

Abandono de praias na capital afasta banhistas

A situação de abandono e deterioração da Ponta d’Areia faz com que comerciantes sofram prejuízos, frequentadores tenham medo e moradores, decepção

Reprodução

Não é de hoje que a situação precária em que se encontra a orla da Ponta d’Areia tem causado indignação em muitas pessoas que diariamente observam o local deixar de ser um ponto turístico e de lazer importante da capital para se tornar um caos em termos de segurança e estrutura.

Por conta do efeito das marés sobre a área de contenção, praticamente todo o calçadão cedeu, e os problemas estruturais só pioram com a incidência das chuvas dos últimos meses. Pontos de alagamento, buracos no calçamento, além de lixo acumulado em alguns pontos também são problemas que, segundo comerciantes locais, têm afastado frequentadores e tornado a praia quase um deserto, prejudicando diretamente as vendas de produtos.

Prejuízos certos

Calçadão da Ponta D’areia (Foto: Reprodução)

Já são mais de 30 anos que Zé Roberto possui uma barraca na orla da praia e, hoje, aos 46 anos, ele não consegue lembrar alguma reforma ou melhoria que foi feita no local. “Eu estou todo dia aqui, de 5 horas da manhã até as 7 da noite, há trinta anos faço isso. Até hoje não vi uma melhoria aqui, só vejo isso aqui acabando, cada dia mais. Isso é muito triste, porque a gente que trabalha nesse local há tanto tempo queria que aqui fosse um lugar onde sempre estivesse cheio de gente, de família, assim como em outras praias de São Luís”. Segundo o vendedor, os prejuízos só aumentam com o fluxo cada vez menor de pessoas. Ele diz que em alguns dias não há movimentação alguma de pessoas na praia e aos comerciantes só resta fechar as portas, alternativa já seguida por alguns. “Aqui não vem quase mais ninguém. Quem quer vir para um lugar onde parece que está tudo abandonado? Tem o Espigão aqui perto onde é tudo bonito, arrumadinho, lá sim está sempre cheio. À noite ainda é mais perigoso aqui, porque a gente só vê ladrão na rua, nenhum cliente”. Na opinião de Zé Roberto, se fossem feitos espaços de lazer e interação entre pessoas em pontos estratégicos da Ponta d’Areia, o movimento de pessoas iria aumentar bastante. “Têm que ajeitar isso aqui. É cheio de prédios bonitos e de moradores e nem eles vêm mais para cá. Se fizessem uma praça, colocassem brinquedos ou alguma coisa bonita com certeza muito mais gente viria para cá. O que chama as pessoas é a beleza e aqui não tem nenhuma”.

Vista privilegiada, do lixo

Calçadão da Ponta D’areia (Foto: Reprodução)

Para quem reside na região, a visão à beira-mar não é das mais agradáveis. Muitos moradores reclamam do abandono do espaço, que não pode ser aproveitado pelas famílias locais, além do lixo que às vezes se acumula em pontos da praia. Para o empresário Alberto Dias, a praia mais próxima de sua casa deixou de ser uma opção de lazer, sendo a última em termos de qualidade, segundo ele. “Já não pode banhar na praia porque tem as placas dizendo que está imprópria, e ainda está nessa situação com tudo quebrado, você não encontra um banco para sentar e nem um local para se abrigar. A praia está péssima e acredito que ninguém mais tem vontade de vir aqui, eu mesmo prefiro ir para outros locais. Fora tudo isso, ainda fica lixo espalhado em alguns locais. Hora ou outra se encontra uma sujeira acumulada pela falta de educação dos outros”. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de São Luís para que fosse informada sobre projetos de requalificação da Ponta d’Areia, mas até o fechamento dessa matéria nenhuma resposta foi encaminhada.

Armadilhas ao longo do caminho

Calçadão da Ponta D’areia (Foto: Reprodução)

Em toda a extensão do calçamento da orla, várias armadilhas podem ocasionar acidentes, especialmente aos mais idosos ou desatentos. Os buracos são tão grandes que em alguns pontos é impossível transitar, pois a estrutura cedeu totalmente de um lado a outro.

A atendente de loja Liliane Martins conta que já presenciou alguns acidentes em que pessoas se machucaram ao tropeçar em pedras soltas ou cair em buracos. “As pessoas caem aqui mesmo, a calçada não é reta, é cheia de ondulações e também tem esses buracos aí. A gente fica com pena de quem é mais idoso que passa com dificuldade, talvez por isso que as pessoas evitem andar aqui”. De acordo com Liliane, que sempre espera pelo coletivo nas paradas que estão instaladas ao longo da orla, a pouca movimentação de pessoas causa preocupação especialmente em períodos noturnos. “À noite dá muito medo, porque a parada fica totalmente vazia e de vez em quando passam pessoas em bicicletas ou até de moto e você já acha que vai ser assaltado. Se tivesse movimentação nessa parte da praia, à noite talvez fosse mais seguro”, afirma ela.

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