São Luís aparece entre as cidades brasileiras com os piores indicadores de saneamento básico, segundo o Ranking do Saneamento 2026, elaborado pelo Instituto Trata Brasil. O levantamento, que analisa os 100 municípios mais populosos do país, aponta que São Luís enfrenta graves deficiências estruturais na coleta e no tratamento de resíduos.
Entre os 20 municípios com pior desempenho no ranking nacional, sete são capitais: São Luís, Maceió, Manaus, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho.
Os números da crise na capital impressionam negativamente. De acordo com o estudo, apenas 41,85% da população de São Luís é atendida pela rede de coleta de esgoto. A situação é ainda mais grave no que diz respeito ao tratamento, pois menos de 16% dos resíduos produzidos recebem o destino adequado.
Grande parte desse atraso se deve ao baixo investimento no setor. Enquanto o valor considerado necessário para universalizar os serviços no país é de R$ 233 por habitante ao ano, o estado do Maranhão investe, em média, apenas R$ 18 anuais por morador.
Na prática, esses dados se traduzem em sérios problemas diários para quem vive na cidade. No Conjunto Basa, situado no bairro São Francisco, um vazamento de esgoto na Travessa Antônio Rego permanece sem solução há aproximadamente dois anos, gerando mau cheiro e prejudicando o comércio local. O autônomo Fernando Silva relata que o problema afeta as vendas e a rotina de um colégio próximo, forçando os pedestres a desviarem para não caírem nos dejetos.
A falta de manutenção se repete em outras regiões, como na esquina da Travessa 7 com a Rua 9, também no São Francisco, onde o vazamento já dura dois meses, e no bairro Monte Castelo, onde o esgoto escorre por toda a extensão da Rua Castro Alves. O caso mais alarmante ocorre em frente ao Centro de Hemodiálise de São Luís, onde a água contaminada se acumula na entrada da unidade de saúde, dificultando e comprometendo o acesso diário de pacientes vulneráveis que dependem do tratamento.
O Imparcial procurou a Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (Caema) para que se posicionasse sobre os problemas relatados pelos moradores e sobre os dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
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