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Lula se reúne com Trump na Casa Branca para discutir segurança, comércio e negociações

Encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos ocorre em meio a negociações sobre combate ao crime organizado e interesse norte-americano em terras raras brasileiras

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta quinta-feira à Casa Branca, em Washington, para um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião, negociada nos últimos dias pelas equipes diplomáticas dos dois países, reúne ministros e autoridades brasileiras e norte-americanas.

A expectativa é de que o encontro trate de temas ligados ao comércio bilateral, cooperação internacional no combate ao crime organizado e questões geopolíticas. Também devem entrar na pauta as reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, consideradas estratégicas para os setores de tecnologia e defesa dos Estados Unidos.

No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação para reforçar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas dos dois países, permitindo investigações mais rápidas sobre rotas, padrões e conexões entre organizações criminosas.

Participam da comitiva brasileira os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Um dos principais pontos de preocupação do governo brasileiro é a possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A proposta vem sendo defendida pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro em interlocuções com integrantes da administração republicana.

Para evitar esse cenário, o governo brasileiro entregou previamente às autoridades norte-americanas um documento com ações recentes de enfrentamento às facções criminosas e propostas de cooperação bilateral. A estratégia do Palácio do Planalto é defender um modelo semelhante ao acordo firmado entre Estados Unidos e México no combate aos cartéis de drogas.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que uma eventual classificação do PCC e do CV como grupos terroristas poderia abrir margem para operações militares norte-americanas em território brasileiro sem autorização de Brasília, hipótese rejeitada pelo governo federal.

Entre os argumentos que Lula deve apresentar a Trump estão operações recentes das forças de segurança brasileiras, como a Operação Carbono Oculto, voltada ao combate à lavagem de dinheiro atribuída ao PCC em postos de combustíveis. O governo também pretende destacar a sanção da Lei Antifacção e a tramitação da PEC da Segurança Pública, atualmente em análise no Senado.

Outro tema previsto na reunião é o pedido de cooperação para a prisão de brasileiros investigados por tráfico de drogas, armas e crimes tributários que vivem nos Estados Unidos. Entre os nomes citados pelo governo brasileiro está o empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit, no Rio de Janeiro.

Segundo autoridades brasileiras, Magro é investigado por supostas conexões com o crime organizado e acumula uma dívida tributária estimada em R$ 26 bilhões com a Receita Federal. Atualmente, ele reside em Miami.