ÓLEO NAS PRAIAS

Filhotes de tartaruga não podem ser soltos sob risco de contaminação

Duzentos filhotes que nasceram no fim de semana estão sendo mantidos em piscinas até que seja encontrado um local seguro para serem soltos

Reprodução

Duzentos filhotes de tartaruga marinha estão ameaçados pela contaminação de petróleo na costa do Nordeste brasileiro. O projeto Tamar suspendeu, temporariamente, a soltura de filhotes de tartaruga marinha em Sergipe e no extremo norte da Bahia. Os duzentos filhotes que nasceram no fim de semana estão sendo mantidos em piscinas até que órgãos ambientais definam junto com o Tamar um local seguro para a soltura dos animais.

Já são 132 praias brasileiras atingidas pela mancha de óleo na região Nordeste do país, segundo o último balanço do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). O resultado foi divulgado no último domingo, 6 de outubro.

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Suspeita-se que o resíduo seja oriundo de navios que passam pela região, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), que está analisando as imagens de satélite. Porém, ainda segundo investigações do Ibama, não foi possível afirmar com precisão de onde as manchas vieram.

Tartaruga coberta de óleo encontrada na praia de Itatinga, em Alcântara (MA). Foto: Reprodução

Cerca de 12 animais foram atingidos pelo óleo, sendo 9 tartarugas e uma ave encontradas mortas ou morreram logo após serem resgatadas. O número de animais afetados também foi registrado pelo Ibama. Também foi encontrado um golfinho, morto com manchas de óleo na orla da Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, na Grande Fortaleza, na manhã do último sábado (5). O animal foi resgatado pela prefeitura do município.

Golfinho encontrado morto com manchas de óleo na Praia da Taíba, no Ceará. Foto: Chirley Mara

Os filhotes de tartaruga marinha que aguardam definição do local de soltura são da espécie Lepidochelys olivácea (tartaruga-oliva), que tem classificação de perigo de extinção, segundo o Ministério do Meio Ambiente.

O ideal é que os filhotes sejam soltos logo que nascem, mas eles não podem interagir o óleo que está no mar ou podem não sobreviver. Segundo o Tamar, nascem cerca de 1 milhão de filhotes de tartarugas por ano na área afetada pelo óleo do extremo Norte da Bahia até o litoral de Sergipe.

A temporada de reprodução das tartarugas marinhas no Brasil começa em setembro, com as primeiras desovas. Nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, ocorre o maior número de nascimento de tartarugas marinhas. Das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo, cinco desovam no Brasil. As regiões Nordeste e Sudeste possuem importantes áreas de desova destas cinco espécies de tartarugas marinhas: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Todas as cinco espécies correm risco de extinção. O projeto Tamar destaca que esta temporada reprodutiva está promissora, pois a ocorrência de ninhos começou um mês antes, em agosto, e há uma grande quantidade de ninhos nas praias brasileiras.

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