CORONAVÍRUS

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PANDEMIA

Prevenção ao novo coronavírus é mais difícil na periferia

Atuando nas comunidades, organizações dizem que carência de estrutura, saúde e moradia são principais entraves no combate ao coronavírus em bairros vulneráveis

Reprodução

Cinquenta e duas organizações da sociedade civil (OSCs), que atuam nas periferias e comunidades do Maranhão, participaram de um levantamento feito pelo Itaú Social, que abordou os principais problemas enfrentados, as ações emergenciais que estão realizando e os impactos mais temidos nos territórios onde atuam, neste período de pandemia causada pelo novo coronavírus.

Ao todo, no Brasil, participaram 2.074 organizações que atuam diretamente junto às periferias durante a pandemia de covid-19 e que apontaram a falta de estrutura em saúde e moradia como as principais dificuldades para a prevenção ao coronavírus naquelas localidades. Em cidades maiores, a falta de estrutura adequada de moradias é considerada problema de alta gravidade. Em municípios menores, a fragilidade está em equipamentos de saúde para diagnóstico e cuidados.

As dificuldades de prevenção e combate ao coronavírus estão relacionadas à falta de estrutura na saúde, pouco acesso a itens de higiene e, principalmente nas grandes cidades, à falta de moradias adequadas que favoreçam o isolamento social.

A análise dos dados considerou as respostas das OSCs durante a inscrição para a edição emergencial do programa Comunidade, Presente!, do Itaú Social, uma das ações de fomento realizada pela fundação para amenizar os impactos da covid-19, com a doação de recursos para a distribuição de kits de alimentos e gás de cozinha. Entre os mais de dois mil respondentes, estão representantes de instituições do Sudeste (44%), Nordeste (36%), Sul (12%), Norte (4%) e Centro-Oeste (4%). No total, as organizações declararam atender 3,9 milhões de pessoas (entre crianças, jovens e adultos). Em São Luís, o Instituto Educacional Nossa Senhora Aparecida, que fica na Vila Janaína, atende 100 famílias dos bairros Alemanha, Vila Palmeira, Divinéia, Cidade Operária, Cidade Olímpica, Vila Janaína, Santa Clara, e circunvizinhos. Dentre os vários problemas encontrados nessas comunidades, a entrega de cestas básicas e de kits de higiene para famílias em vulnerabilidade social tem sido um alento para quem não tem aporte financeiro para alimentação, imagine para a higiene básica.

Entrega de cestas e kits de higiene até agosto

CERCA DE 6.400 FAMÍLIAS CARENTES DE VÁRIAS LOCALIDADES  ESTÃO SENDO ATENDIDAS POR MÊS  DURANTE A PANDEMIA  NA ILHA

“Foi feito todo um processo de verificação dessas comunidades e percebemos que já tinha instituições desenvolvendo um trabalho já nesse sentido. Com o Itaú Social tivemos a oportunidade de ajudá-las, especialmente nesse período crítico de pandemia. Cerca de 6.400 famílias estão sendo atendidas por mês”, disse o presidente da instituição Flaviomar Medeiros.

Mais de 6 mil cestas básicas estão sendo distribuídas mensalmente (até no mês de agosto), totalizando 18.330 cestas ao final do projeto social, assim como a mesma quantidade de kits de higiene.  “Além do Itaú Social, a nossa instituição faz parte do projeto da Rede de Projetos Comunitários, em que conseguimos 50 cestas, e outras 30 pelo projeto da 1ª Vara. Então ao todo, vamos distribuir 180 cestas mensais. É algo que é muito importante para essas famílias que em geral não tem o básico. Terça-feira (14) a gente começa a fazer as entregas”, disse Flaviomar. Além da entrega de alimentos e de produtos de higiene, essas instituições fornecem informações sobre como essas comunidades estão e suas necessidades. Esse levantamento ajuda a formular outras ações.

Diagnóstico

Entre as organizações que atuam em cidades com mais de 200 mil habitantes, 63% consideram a falta de estrutura nas moradias um problema de gravidade muito alta. Já nas cidades de menor porte, 49% afirmam que a falta de estrutura dos equipamentos de saúde para diagnóstico e cuidados é o principal problema. Em 56% das organizações das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, é a falta de acesso a itens de higiene adequados. “O levantamento lança mão da inteligência de dados para nortear as ações de fomento durante a crise provocada pelo coronavírus. A partir das informações colhidas, podemos atuar de forma mais efetiva e estratégica, considerando a ótica de quem está realizando um trabalho na ponta”, explica a gerente de Fomento do Itaú Social, Camila Feldberg.

A iniciativa reflete a realidade das organizações que atuam em bases comunitárias no país. De acordo com o levantamento, as organizações se mobilizaram para disseminar informações sobre a prevenção do vírus (81% das instituições), distribuir alimentos (68%) e enviar sugestões de atividades pedagógicas ou lúdicas para crianças e famílias realizarem em suas casas (62%). Também há aquelas que fazem o acompanhamento aos serviços de assistência social e saúde (58%). Em geral, as organizações apontaram que as consequências econômicas são os maiores riscos da crise, já que consideram que o empobrecimento, aumento da fome (85%), desemprego (81%) e falência dos pequenos comércios/empreendedores (67%) são as principais preocupações para as famílias atendidas. Além da falta de trabalho e renda, as organizações apontam ainda riscos de aumento da violência (33%), defasagem em educação (21%), problemas de saúde (17%), entre outros impactos negativos da crise nas comunidades periféricas. (PC).

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