O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado neste dia 3 de junho, acende um alerta urgente para a saúde pública. Longe de ser um problema isolado, o ganho de peso precoce se tornou um dos maiores desafios do país, com reflexos profundos e preocupantes em solo maranhense.
Cenário no Maranhão
Os dados mais recentes do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), consultados em maio de 2026, revelam uma realidade preocupante para o estado.
28% das crianças maranhenses entre 0 e 9 anos apresentam excesso de peso (o que inclui sobrepeso, obesidade e obesidade grave). Isso significa que 28 em cada 100 crianças estão acima do peso ideal. No total, o Maranhão já registra 178.537 casos de excesso de peso infantil.
“Os dados revelam que a obesidade infantil se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca a pediatra dra. Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA).
O panorama do Maranhão acompanha uma tendência agressiva em todo o Brasil. De acordo com os dados nacionais do SISVAN:
- Obesidade: Atinge 8,94% das crianças brasileiras de 0 a 9 anos (cerca de 9 em cada 100).
- Obesidade Grave: Já afeta 5,97% nessa mesma faixa etária (cerca de 6 em cada 100).
No total, o país soma mais de 1,1 milhão de crianças com obesidade e 783 mil em estado grave. Se nenhuma atitude real for tomada, as projeções do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o Brasil pode se tornar o 5º país com mais crianças e adolescentes obesos no mundo até 2030. A chance de reverter esse quadro sem ações imediatas é de apenas 2%.
Apesar de a maioria das crianças no país (62,80%) ainda apresentar peso adequado (eutrofia), os quase 37% que restam mostram que a balança nutricional está desequilibrada.
Riscos e consequências
A obesidade na infância não afeta apenas o corpo físico imediato, ela compromete o futuro da criança em duas frentes principais:
- Física: Aumento drástico no risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares precocemente.
- Emocional: Impactos profundos na autoestima, isolamento social e maior exposição a situações de bullying.
Como Prevenir
A boa notícia é que o cenário pode ser modificado. O avanço do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas à medida que as crianças crescem é o principal vilão a ser combatido.
Para mudar essa rota, a dra. Mariana Grigoletto aponta o caminho da prevenção baseado em três pilares:
| Pilar | Ação Prática |
| Alimentação Base | Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, legumes e verduras), cortando ultraprocessados e refrigerantes. |
| Movimento | Estimular a prática regular de atividades físicas e brincadeiras ativas. |
| Higiene de Telas | Limitar o tempo que as crianças passam em frente a celulares, televisões e tablets. |
“É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos logo no início, podemos intervir antes que a situação piore”, ressalta a médica. Embora a genética tenha seu papel, o ambiente e os costumes cultivados dentro de casa e na escola são os fatores decisivos para garantir uma vida saudável a longo prazo.
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