OPINIÃO

Zé Sarney quer passar o poder para filha Roseana

Das eleições de governador, retomadas em 1982, com Luiz Rocha eleito, Sarney também esteve sempre dentro das campanhas. Foram 10 eleições de governador, das quais seu grupo só perdeu a de 2006 para Jackson Lago (PDT)

José Sarney acompanha a filha Roseana na Convenção do MDB, no Espaço Renascençca

Com forte e histórica influência no Judiciário Maranhense e também no brasileiro, o ex-presidente José Sarney já demonstra que em 2018 não deseja ver o fim da oligarquia que comanda há mais de 50 anos. Ele prefere nem discutir a pobreza do Maranhão antes de Flávio Dino, como se a prosperidade fosse a regra e o compasso da economia maranhense nos tempos de Roseana.

É o paradoxal, pois o Maranhão ao aderir, forçado, à Independência em 1823, era mais rico do que São Paulo e detinha uma elite econômica tão pujante que se relacionava diretamente com Portugal e Europa, onde os filhos dos ricaços estudavam. Desde 1965, quando José Sarney venceu, com folgada votação, a eleição de governador, já participou – apoiando ou se opondo – de 19 eleições presidenciais. Sem falar que durante o período da ditadura militar, ele sempre esteve do lado dos generais-presidentes.

Das eleições de governador, retomadas em 1982, com Luiz Rocha eleito, Sarney também esteve sempre dentro das campanhas. Foram 10 eleições de governador, das quais seu grupo só perdeu a de 2006 para Jackson Lago (PDT). Não é à toa que Sarney demonstra entrar firme na guerra eleitoral de 2018, de carabina em punho para atacar o único adversário: Flávio Dino, que lidera as pesquisas.

Poderia ser qualquer outro que ameaçasse seu longo domínio. Está com a pontaria tão aprumada quanto foi na primeira eleição de prefeito de São Luís, pós-ditadura e a segunda da história da capital, em 1985, quando seu candidato Jaime Santana, o “Força Total”, foi derrotado por Gardênia Castelo.

Nas eleições de São Luís, também, ele nunca esteve afastado. O ex-presidente da República parece não sentir o peso do tempo de vida política. Católico e supersticioso, certamente sente o chão tremer só em pensar na hipótese de Roseana Sarney perder para Flávio Dino. Será um castigo duplo: a segunda derrota consecutiva em meio século e, ainda por cima, desta vez, pela filha que emendou a sua carreira política à do pai.

E com méritos, pois já passou quatro mandatos no Palácio dos Leões, somando 14 anos. Porém, Sarney também sabe que, caso derrote Flávio Dino, a vitória não será só de Roseana, mas de uma história oligárquica única no Brasil. Assim sendo, ela pode ir ainda muito longe.

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