ESCÂNDALO DA UPA

“Fui mal interpretado”, afirma Levi Pontes sobre áudios vazados

Ao se defender da acusação de que estaria trocando favores para obter apoio político, Levi Pontes classificou o vazamento da conversa como “criminoso”

Foto: Reprodução

Uma semana após o vazamento de um áudio do deputado estadual Levi Pontes (PCdoB) falando sobre um suposto esquema eleitoreiro para beneficiar sua própria candidatura, o parlamentar finalmente quebrou o silêncio. Na sessão de ontem, Pontes foi à tribuna da Assembleia Legislativa e falou sobre o áudio que circula nas redes sociais. Segundo o deputado, a gravação foi “mal interpretada” por “setores pequenos da imprensa de oposição”.

Ao se defender da acusação de que estaria trocando favores para obter apoio político, Levi Pontes classificou o vazamento da conversa como “criminoso”. O deputado revelou que a conversa teria acontecido em sua residência na cidade de Chapadinha, mas garante não ter havido nenhum ato ilícito mediante ao que falou.

“Alvo de uma gravação clandestina extremamente distorcida, mal interpretada, insuflada à exaustão por setores pequenos da imprensa de oposição ao nosso grupo político. Na gravação ou no áudio, tratava-se da reivindicação de um grupo de funcionários a respeito do aditivo de um convênio do governo do estado com a Prefeitura Municipal de Chapadinha em simples diálogo privado e coloquial. Por mais que os contrários apelem e forcem a barra para me desgastar, nenhum, digo aqui a todos os senhores, que nenhum ilícito se extrai da conversa maldosamente gravada”, disse o parlamentar durante seu discurso.

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Desde que a gravação começou a ser compartilhada nas redes sociais, Levi Pontes preferiu se isolar da imprensa. Ao levar o assunto ao Parlamento, o parlamentar tentou se defender e refutou qualquer tipo de “barganha” envolvendo ações ou programas do governo do estado, mesmo que no áudio ele fale que, caso não receba o apoio desejado, estaria disposto a convencer o governador Flávio Dino (PCdoB) a cortar o envio dos recursos necessários para a gestão da UPA. Nesse caso, as despesas para manter a unidade de saúde em pleno funcionamento ficariam a cargo da prefeitura.

Em seu breve discurso, o deputado do PCdoB afirmou, ainda, que sai desse episódio com o “ânimo reforçado para seguir firme” para enfrentar “as politiqueiras da vida”. “Vou enfrentar e superar mais essa perseguição contra mim. Nem império de comunicação, nem concorrentes, que nada têm a demonstrar ou a mostrar me impedirão de seguir em frente e concluir a tarefa de lutar por Chapadinha e pelo Baixo Parnaíba e pelo Maranhão, mostrando com muito orgulho o volume de programas, políticas públicas, ações e obras que antes não tinham e agora tem”, disse o parlamentar.

Comissão de Ética

Apesar do discurso negando o suposto esquema eleitoreiro em Chapadinha, Levi Pontes deverá ter de se explicar na Comissão de Ética da Assembleia. Isso porque a deputada estadual Andrea Murad (MDB) representou contra o parlamentar, após ele ter sido flagrado usando estrutura pública do governo em troca de votos.

“O mais monstruoso nisso tudo é que o deputado Levi é médico. Um profissional da saúde que, antes de qualquer outro, deveria zelar pela saúde de seus conterrâneos, dos maranhenses. E, agora, foi flagrado ameaçando o funcionamento de uma unidade de saúde. Onde entram os chapadinhenses nos interesses de Levi Pontes?”, disse Andrea.

Esta será a segunda vez que Levi Pontes se envolve em polêmicas devido à troca de favores políticos. Em abril de 2017, outro áudio do parlamentar vazou na web. Na gravação, ele pediu que parte do pescado comprado pela Prefeitura de Chapadinha fosse entregue para aliados políticos. Naquela ocasião, a Comissão de Ética preferiu arquivar a denúncia contra o parlamentar.

Entenda o caso

Na gravação que circula nas redes sociais, o deputado Levi Pontes aparece conversando com uma pessoa, ainda não identificada, sobre recursos estaduais para a manutenção da UPA de Chapadinha. O parlamentar sugere que a continuidade dos recursos dependeria do apoio do prefeito Magno Bacelar (PV) à sua própria candidatura.
Levi Pontes chega a explicar que o contrato de gerenciamento da UPA de Chapadinha terminaria em 29 de março, data em que o Hospital Regional seria entregue, fato que a Secretaria de Estado da Saúde nega categoricamente ao garantir que a assinatura do aditivo para a gestão da UPA já foi realizada com validade por mais um ano. “Me pediu pra manter, pra melhorar, a prefeitura… Pelo menos por mais um ano, ele me pediu. Resposta minha: ‘Depende… Enfim, se o senhor me tratar bem, eu posso conseguir. Pelo jeito que eu consegui pra botar para funcionar… Eu consigo que o governador devolva o que é dele. Ele já foi chamado, foi oficializado que vão entregar”, diz Levi em um trecho da gravação.

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