Apesar de unânime entre os ministros do conselho político, a decisão de evitar um pronunciamento da presidente Dilma Rousseff em cadeia de nacional de rádio e televisão pelo Dia do Trabalho desagradou à base da partido. Militantes da legenda reclamaram que a medida rompe uma tradição do PT como representante dos trabalhadores. Desde que assumiu a presidência, Dilma nunca deixou de ir à tevê em períodos próximos à data para fazer anúncios e exaltar a situação do país. Desta vez, de diferente em relação aos anos anteriores, estão a ausência de notícias positivas para a classe e a iminência de protestos diante da mera aparição da presidente. O desafio, portanto, é justamente definir o que dizer aos trabalhadores, mesmo que por meio de redes sociais.
O governo nega ter suspendido o pronunciamento na televisão para evitar possíveis manifestações, como as que ocorreram no primeiro discurso da presidente na televisão, em 8 de março, pelo Dia Internacional da Mulher. O objetivo, segundo o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, é priorizar as redes sociais nesta data. A estratégia foi defendida pela própria presidente Dilma, que não queria ir à cadeia de rádio e tevê e foi referendada pelos 10 ministros que participaram da reunião de coordenação política na última segunda-feira, data do anúncio de que não haverá fala na tevê.