O governador Carlos Brandão (MDB) exonerou o delegado aposentado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública, Raimundo Cutrim, do cargo comissionado de secretário de Estado Extraordinário de Assuntos Legislativos. A decisão foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Estado na noite desse domingo (19).
A destituição atende a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. No sábado (18), o ex-governador e atual magistrado expediu mandados de busca e apreensão contra Cutrim, impôs medidas cautelares e ordenou sua demissão imediata.
Dias antes do cumprimento dos mandados pela Polícia Federal, Raimundo Cutrim havia gravado um vídeo no qual denunciava Flávio Dino. Na gravação, o ex-deputado estadual questionava a imparcialidade do ministro, apontando que o magistrado é seu rival político e que o grupo ao qual Dino pertence faz oposição ferrenha ao atual governo de Brandão.

Flávio Dino determina prisão domiciliar
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão domiciliar e o afastamento de Raimundo Cutrim, secretário extraordinário de Assuntos Legislativos do governo do Maranhão, no âmbito de uma investigação que apura supostos crimes de coação e obstrução da Justiça.
A decisão, proferida na última quinta-feira (16), também autorizou a realização de busca e apreensão na residência do secretário, em São Luís.
Durante o cumprimento do mandado, agentes da Polícia Federal apreenderam armas curtas e longas no imóvel do secretário, que é delegado da PF aposentado e ex-deputado estadual por três mandatos.
Cutrim acusa Flávio Dino de perseguição política
Raimundo Cutrim, fez graves denúncias contra o magistrado, a quem classificou como seu “inimigo pessoal e político reconhecido, desde a época em que Dino era governador e eu, deputado estadual”.
Dias antes de ser alvo dos mandados de busca e apreensão ordenados pelo ministro, Cutrim gravou um vídeo denunciando o que chamou de uma “onda de terror” promovida por aliados de Dino no estado. No registro, gravado em 11 de julho, o secretário afirmou já ter sido alertado sobre a iminente ação policial, informação que circulava como um “boato” espalhado por parlamentares “dinistas”.
Cutrim questiona a imparcialidade de Flávio Dino para relatar o caso, apontando a rivalidade política entre ambos. Além disso, o secretário fez uma acusação ainda mais grave: afirmou que parlamentares ligados ao ministro se posicionaram como “portadores de recados”, propondo a troca de sentenças de Dino por apoio em redutos eleitorais nas eleições de 2024.
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