A divulgação da 7ª edição do relatório “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã“, elaborada pela Rede de Observatórios da Segurança, apontou que pessoas negras enfrentam um risco quatro vezes maior de morrer em intervenções policiais do que pessoas brancas em nove estados, incluindo o Maranhão, avaliados pela entidade.
O estudo, divulgado nesta quarta-feira (1º/7), reúne dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) junto às secretarias de Segurança Pública de:
- Amazonas;
- Bahia;
- Ceará;
- Maranhão;
- Pará;
- Pernambuco;
- Piauí;
- Rio de Janeiro;
- São Paulo.
Segundo o levantamento, o país registrou 4.330 mortes provocadas por ações policiais em 2025, número 6,4% superior ao observado no ano anterior. Entre os casos em que havia identificação de raça ou cor das vítimas, 86,3% eram pessoas negras.
A pesquisa também mostrou que jovens foram os mais afetados: pessoas com até 29 anos corresponderam a 64,8% do total de mortos, somando 2.804 vítimas. Desse grupo, 2.492 tinham entre 18 e 29 anos. Além disso, 312 crianças e adolescentes morreram em ocorrências envolvendo policiais, sendo duas com até 11 anos e outras 310 entre 12 e 17 anos.
Ao analisar as taxas proporcionais por 100 mil habitantes, o relatório concluiu que “em os dados de 2025, afirmamos: na média dos o analisar estados, negros têm quatro vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos”.
A diferença é ainda mais acentuada em alguns estados monitorados. Em Pernambuco, o risco de uma pessoa negra morrer em uma intervenção policial foi 11 vezes maior que o de uma pessoa branca. No Rio de Janeiro, essa proporção chegou a seis vezes.
Estados registram recordes históricos
O estudo também revelou que Ceará, Maranhão, Pará e São Paulo alcançaram, em 2025, os maiores números de mortes decorrentes de intervenção policial desde o início da série histórica, em 2019.
O Ceará contabilizou 200 casos, o Maranhão registrou 142, o Pará chegou a 632 e São Paulo somou 834 mortes. Na Bahia, apesar da redução em comparação com o recorde de 2024, foram registradas 1.570 vítimas.
Em São Paulo, o total de mortes decorrentes de ações policiais aumentou de 812, em 2024, para 834 em 2025, elevando para 4.774 o número acumulado de vítimas desde 2019. No Maranhão, o crescimento foi de 86,8% em apenas um ano, passando de 76 para 142 ocorrências. Conforme o relatório, esse avanço estaria relacionado à expansão de facções criminosas oriundas do Sudeste para o interior do estado e a uma estratégia de enfrentamento baseada no confronto.
O Pará também bateu recorde, com 632 mortes registradas em 2025, 35 a mais que no ano anterior. Desde o início da série histórica, o estado acumula 4.028 vítimas, sendo Belém responsável por 99 delas no último ano, o maior número entre os municípios paraenses. Já o Ceará chegou ao maior patamar da série, com 200 mortes em 2025. 12 municípios concentraram pouco mais da metade das ocorrências no estado, que soma 1.094 vítimas em sete anos, crescimento de 47,1% no período.
Metodologia
A pesquisa foi elaborada a partir de informações oficiais fornecidas pelas secretarias de Segurança Pública dos 9 estados monitorados. Os dados são obtidos por solicitações feitas via Lei de Acesso à Informação, passam por processos de conferência e padronização realizados pela Rede de Observatórios da Segurança e seguem metodologia compatível com a utilizada desde 2019, permitindo a comparação histórica dos indicadores.
*Correio Braziliense