Política · nomes e alianças

Eleições 2026 no Maranhão: partidos apostam em candidaturas isoladas para o Senado

Com duas vagas em disputa, legislação eleitoral permite que partidos apoiem o mesmo candidato ao governo e, ao mesmo tempo, lancem nomes próprios para o Senado

Vagas para o Senado viram campo de guerra política (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Vagas para o Senado viram campo de guerra política (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

A disputa pelas duas vagas do Maranhão no Senado Federal tem potencial para se transformar em um dos principais diferenciais das eleições de 2026. Em meio às articulações das convenções partidárias, cresce a tendência de que partidos e federações optem por lançar candidaturas isoladas ao Senado, mesmo integrando alianças comuns na disputa pelo Governo do Estado.

A estratégia, além de prevista na legislação eleitoral, amplia o espaço para negociações políticas e pode resultar em uma eleição marcada por múltiplos candidatos dentro de um mesmo campo político.

O movimento ganhou novos contornos após a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) voltar a admitir a possibilidade de disputar uma vaga no Senado. Em entrevista, no último domingo (19), Roseana afirmou estar motivada para retornar à disputa eleitoral. Segundo ela, o bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto e a ausência de uma coligação formal da Federação União Progressista para a eleição ao Senado contribuíram para recolocar seu nome no cenário.

Caso confirme a candidatura, Roseana ampliará o leque de opções do grupo político que apoia a candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Maranhão.

Na prática, sua entrada não significa, necessariamente, a substituição de qualquer outro nome já colocado para a disputa, mas sim o fortalecimento da estratégia de múltiplas candidaturas dentro do mesmo campo político.

Situação semelhante começa a ser desenhada entre os aliados do pré-candidato Eduardo Braide (PSD). André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) já aparecem entre os nomes apoiados para disputar o Senado. Agora, o ex-senador Roberto Rocha (Novo) decidiu retomar seu projeto eleitoral, ampliando ainda mais o número de possíveis concorrentes ligados ao mesmo espectro político.

Do ponto de vista jurídico, a candidatura de Roberto Rocha não impede que o Novo participe de uma eventual coligação majoritária em torno de Eduardo Braide para o Governo do Estado. De acordo com levantamento feito por O Imparcial, a  legislação eleitoral permite que os registros para governador e senador sejam tratados de forma autônoma.

Assim, um partido pode integrar uma coligação para o Executivo estadual e, ao mesmo tempo, lançar candidatura própria ao Senado, desde que essa decisão seja formalizada durante a convenção partidária.

Na prática, isso significa que uma legenda pode apresentar uma chapa isolada para o Senado — composta por um candidato titular e dois suplentes — sem precisar compartilhar essa candidatura com os demais partidos que apoiam o mesmo candidato ao governo.

Alianças para o governo não definem o Senado

O modelo também abre espaço para que diferentes candidatos ao Senado façam campanha ao lado do mesmo postulante ao Palácio dos Leões, fenômeno conhecido nos bastidores políticos como “palanque aberto”.

Apesar da possibilidade jurídica, a construção política costuma ser mais complexa. No caso do Novo, por exemplo, a presença simultânea de Lahesio Bonfim e Roberto Rocha na disputa aumenta o desafio das negociações internas e pode levar o partido a buscar um caminho próprio na eleição majoritária, ainda que ambos mantenham convergência política com Eduardo Braide.

Além da flexibilidade para compor alianças, as candidaturas isoladas oferecem vantagens estratégicas às legendas. O partido preserva o controle sobre os recursos destinados pelo Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) ao seu candidato ao Senado, administra de forma independente seu tempo de propaganda eleitoral para esse cargo e fortalece sua identidade junto às campanhas proporcionais de deputados federais e estaduais.

Para os candidatos ao Governo do Estado, esse modelo também apresenta benefícios. Com vários candidatos ao Senado apoiando um mesmo projeto estadual, amplia-se a presença da campanha em diferentes regiões e segmentos do eleitorado.

Já para os eleitores, a dinâmica é favorecida pelo fato de que, em 2026, cada cidadão poderá votar em dois candidatos diferentes para o Senado, sem necessidade de que ambos pertençam à mesma chapa.

O retorno de Roseana Sarney e a movimentação de Roberto Rocha reforçam que o quadro da disputa senatorial ainda está longe de ser definido. Com duas cadeiras em jogo e uma extensa lista de pré-candidatos, a tendência é que as alianças para o Governo do Estado não resultem, necessariamente, em chapas fechadas para o Senado.

Treze pré-candidatos concorrem para duas vagas

Atualmente, o cenário reúne nomes como Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT), André Fufuca (PP), Roberto Rocha (Novo), Lahesio Bonfim (Novo), Duarte Jr. (Avante), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), César Pires (PSD), Dr. Hilton Gonçalo (Mobiliza), Simplício Araújo (Solidariedade), os pré-candidatos do PSOL, Antonia Cariongo e Franklin Douglas, além de Wilson Leite que foi oficializado pelo PSTU como pré-candidato ao Senado pelo Maranhão.

No entanto, esse quadro ainda deverá passar por mudanças durante o período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, quando partidos definirão oficialmente seus candidatos e parte dos atuais pré-candidatos poderá migrar para disputas proporcionais.

Diante desse cenário, especialistas e lideranças políticas avaliam que a eleição para o Senado tende a se consolidar como uma das mais fragmentadas e estratégicas do Maranhão nas últimas décadas.

Mais do que acompanhar os movimentos para o Governo do Estado, a corrida pelas duas vagas deverá ter dinâmica própria, marcada por candidaturas independentes, palanques compartilhados e negociações que só deverão ser concluídas com o encerramento das convenções partidárias.

Análise da Notícia

A possível predominância de candidaturas isoladas ao Senado indica que a disputa pelas duas vagas pode seguir uma lógica diferente da corrida pelo Governo do Maranhão.

Embora os acordos para o Executivo continuem sendo importantes, a legislação permite que partidos mantenham candidatos próprios ao Senado mesmo apoiando o mesmo candidato ao governo, o que amplia o espaço para negociações e torna o cenário mais flexível. Essa possibilidade está prevista nas regras do TSE para o registro de candidaturas e na autonomia dos partidos para formar coligações.

Na prática, isso significa que o eleitor pode assistir a campanhas em que candidatos ao Senado dividam o mesmo palanque para governador, mas disputem diretamente entre si as duas vagas disponíveis.
O resultado tende a ser uma eleição mais fragmentada, em que fatores como trajetória política, reconhecimento do eleitorado, estrutura de campanha e capacidade de articulação regional podem pesar tanto quanto as alianças partidárias.

Com o período de convenções ainda em andamento, o desenho definitivo da disputa dependerá das negociações entre os partidos e das decisões que serão tomadas até a oficialização das candidaturas.

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