Eles passam a vida inteira oferecendo amor incondicional e companheirismo nos dias difíceis. No entanto, o tempo passa mais rápido para eles. De acordo com a contagem humana, quando um cão ou gato atinge os 7 anos de idade, ele já entrou na “terceira idade” — o equivalente a cerca de 60 anos humanos. Para entender como garantir que essa fase seja repleta de dignidade e saúde, conversamos com a jovem médica veterinária Isabelly Maria, que trouxe alertas importantes e desmistificou preconceitos sobre o envelhecimento animal.
Adaptações invisíveis
Muitos tutores acreditam que envelhecer significa apenas “ficar mais lento”, mas as mudanças físicas exigem adaptações estruturais na rotina da casa. Segundo Isabelly, a mudança começa nos pequenos detalhes:
“Objetos baixos que possam servir de obstáculos para o pet devem ser retirados, já que a visão nessa faixa etária já está sendo comprometida. Móveis com quinas pontiagudas ou lugares altos que o pet consegue subir com facilidade, mas descer com dificuldade (ou vice-versa), são inadequados no ambiente desses animais”.
Além disso, a veterinária ressalta um ponto raramente lembrado: a poluição sonora. Mesmo que a audição do pet diminua, eles ficam psicologicamente mais sensíveis. “Eles se assustam mais facilmente, o que é perigoso, já que animais idosos também já têm o sistema cardiovascular comprometido em comparação a animais mais novos“, alerta.
Alimentação e exercícios na medida certa
A domesticação mudou a forma como cães e gatos envelhecem. Na hora de nutrir o pet sênior, as abordagens se dividem:
- Gatos (Carnívoros estritos): Precisam essencialmente de proteína animal. Um felino acostumado a vida toda com ração de alta qualidade ou frango cozido (natural e sem tempero) manterá a saúde se a ração for adaptada para a fase sênior.
- Cães (Onívoros oportunistas): Adaptam-se melhor a dietas mistas (arroz, ovos, frutas e ração), desde que orientadas.
Pausa nas atividades físicas?
O movimento é vital nessa fase da vida. Para os cães, os passeios devem continuar, mas em horários de sol ameno para evitar queimaduras, sempre com água fresca à disposição. Já para os felinos, a receita é o enriquecimento ambiental.
Ao contrário dos cães, os gatos mantêm uma boa flexibilidade mesmo idosos e continuam amando lugares altos. O segredo é disponibilizar arranhadores acessíveis e objetos que mimetizem caixas de papelão para o descanso.
Sinais de alerta
Um dos maiores erros dos tutores é achar que o isolamento do pet é apenas “manha” ou preguiça da idade. Os animais são extremamente resistentes à dor física e raramente vão gemer ou reclamar.
“Um sinal de alerta em qualquer faixa etária sempre será a apatia, o isolamento e a falta de apetite. Mudanças abruptas de comportamento indicam que algo está errado”, explica Isabelly.
Uma falha apontada na rotina clínica é o tutor esquecer o relógio biológico do animal.
“O principal erro é sempre acharem que eles são nossos ‘eternos bebezinhos’. A partir dos 7 anos eles devem ser tratados especialmente como idosos, entendendo que alguns costumes e brincadeiras não lhes cabem mais”, afirma a veterinária.
Ver o focinho do companheiro clarear e seus passos ficarem mais lentos pode ser doloroso. No entanto, a Médica Veterinária deixa uma mensagem para os tutores que enfrentam o sofrimento de ver o amigo envelhecer:
“Tenham gratidão por permitir que seu companheiro esteja ao seu lado por tanto tempo. Alguns morrem bem cedo, que foi o caso do meu gatinho, que partiu com apenas 3 aninhos. A beleza dos animais está na sua pureza e no tempo mais breve que o nosso aqui na Terra. Como diz a Bíblia, ‘melhor é o fim das coisas do que o começo delas’”, finaliza.