Saúde · altas temperaturas

El Niño pode elevar riscos à saúde dos maranhenses com calor mais intenso 

Cardiologista alerta que temperaturas elevadas exigem cuidados redobrados, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

Créditos - Reprodução
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A confirmação do fenômeno climático El Niño no segundo semestre de 2026 acendeu o alerta entre meteorologistas e autoridades de saúde. Segundo a nota técnica divulgada em junho pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os modelos climáticos indicam tendência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, cenário que costuma provocar temperaturas acima da média e redução das chuvas em parte do Brasil. 

No Maranhão, onde o calor já faz parte da rotina, o fenômeno pode intensificar o desconforto térmico, sobretudo em São Luís, cidade marcada pela elevada umidade do ar. A combinação entre altas temperaturas e umidade dificulta a dissipação do calor pelo organismo e aumenta os riscos à saúde, especialmente para quem convive com doenças cardiovasculares. 

Raphael Luz, cardiologista e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, explica que o calor intenso faz o organismo trabalhar mais para manter a temperatura corporal. Os vasos sanguíneos se dilatam, a transpiração aumenta e, sem reposição adequada de líquidos, o sangue tende a ficar mais concentrado, exigindo maior esforço do coração para manter a circulação. 

Raphael Luz, médico cardiologista e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras. (Divulgação)

“Pessoas que já têm hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmias ou histórico de infarto possuem uma capacidade menor de adaptação ao estresse provocado pelo calor. Esse esforço adicional pode agravar doenças já existentes e favorecer o aparecimento de sintomas”, afirmou o médico. 

Outro fator que agrava a situação é a alta umidade registrada na capital maranhense. Quando o suor não evapora com facilidade, o corpo perde eficiência para eliminar calor, aumentando a sensação térmica e a sobrecarga sobre o sistema cardiovascular. 

“Esse esforço extra pode aumentar o cansaço, favorecer a desidratação e sobrecarregar ainda mais o coração, principalmente em idosos e pessoas que já apresentam alguma doença cardiovascular”. 

Desidratação aumenta riscos 

Entre os principais efeitos do calor extremo está a desidratação. A perda excessiva de líquidos reduz o volume de sangue circulante, fazendo com que o coração acelere os batimentos para manter o funcionamento do organismo. Dias muito quentes podem causar palpitações, dores no peito, falta de ar e até queda da opressão arterial, principalmente entre pessoas mais vulneráveis. 

Estudos científicos já demonstram que ondas de calor estão associadas ao aumento de internações por doenças cardiovasculares, além de maior ocorrência de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O calor intenso favorece a desidratação, aumenta o esforço cardíaco e pode deixar o sangue mais concentrado, elevando o risco de formação de coágulos. 

Grupos que exigem mais atenção 

Os idosos estão entre os mais vulneráveis aos efeitos das altas temperaturas porque apresentam maior dificuldade para regular a temperatura corporal e, muitas vezes, sentem menos sede. Crianças pequenas também exigem atenção por perderem líquidos com mais facilidade. 

Pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doenças renais e outras enfermidades crônicas também precisam redobrar os cuidados durante períodos de calor intenso. 

Como se proteger 

O cardiologista recomenda alguns cuidados para reduzir os impactos do calor intenso sobre o organismo, especialmente entre pessoas com doenças cardiovasculares: 

  • Manter a hidratação ao longo do dia, mesmo sem sentir sede; 
  • Evitar a exposição ao sol entre 10h e 16h, período de maior intensidade da radiação solar; 
  • Usar roupas leves e claras, que ajudam a dissipar o calor; 
  • Procurar ambientes ventilados ou climatizados, reduzindo o tempo de permanência em locais muito quentes; 
  • Praticar atividades físicas no início da manhã ou no fim da tarde, quando as temperaturas são mais amenas; 
  • Não interromper o uso de medicamentos para pressão alta ou doenças cardíacas sem orientação médica; 
  • Ficar atento a sinais como dor no peito, falta de ar, tontura, desmaio, palpitações persistentes ou confusão mental. Nesses casos, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente. 

Na avaliação de Raphael Luz, o aumento da frequência de eventos climáticos extremos exige, além dos cuidados individuais, um sistema de saúde que esteja preparado. 

“As ondas de calor estão ficando mais frequentes e intensas. Isso pode aumentar os atendimentos por problemas cardiovasculares, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas. Informação, prevenção e atendimento precoce são fundamentais para reduzir essas complicações”, concluiu. 

Situação Atual e Previsões (Cenário 2026-2027)

O fenômeno El Niño está oficialmente de volta. As análises de agências nacionais e globais apontam um cenário que exige grande atenção:

Alta permanência: Os modelos indicam mais de 90% de probabilidade de que o fenômeno persista ativo até pelo menos o início de 2027.

Risco de “Super El Niño”: Há uma forte tendência de que este evento atinja uma intensidade muito forte entre a primavera e o verão. Isso ocorre se os desvios de temperatura no Pacífico ultrapassarem os 2,0 °C.
Efeito combinado: O fenômeno atua de forma conjunta com o aquecimento global, potencializando a gravidade de eventos climáticos extremos.

Impactos esperados no Brasil

Os órgãos de monitoramento como o INMET e o INPE apontam desequilíbrios significativos distribuídos pelo território brasileiro:

Região Sul: Tendência de chuvas intensas e acima da média histórica. Aumentam drasticamente os riscos de enchentes, alagamentos e cheias de rios.

Regiões Norte e Nordeste: Enfrentam uma forte redução das precipitações e secas prolongadas. Esse cenário agrava o risco de incêndios florestais e prejudica a bacia hidrográfica amazônica.

Regiões Centro-Oeste e Sudeste: Apresentam irregularidade nas chuvas e alta probabilidade de temperaturas muito acima da média. O bloqueio de massas de ar polar intensifica episódios de fortes ondas de calor.

Saúde e Economia: O estresse térmico eleva o risco para populações vulneráveis. Adicionalmente, as alterações de umidade exigem que o Ministério da Agricultura e a Defesa Civil adaptem as estratégias para mitigar perdas nas lavouras e no abastecimento.