Política · Julgamento

STF suspende julgamento sobre limites do nepotismo em cargos políticos após pedido de vista

Ministro Gilmar Mendes interrompe análise após relator Luiz Fux alterar posicionamento para proibir nomeação de parentes em secretarias

Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou, nesta quarta-feira (15), a definição sobre a legalidade da nomeação de familiares para cargos de natureza política. A interrupção do julgamento ocorreu após o ministro Gilmar Mendes solicitar vista do processo, sem que uma nova data para a retomada dos debates tenha sido formalizada pela Corte.

O imbróglio jurídico remonta a 2008, quando o STF editou uma súmula vinculante proibindo o nepotismo na administração pública, vetando a contratação de cônjuges e parentes de até terceiro grau. Meses depois, entretanto, o tribunal abriu uma exceção para cargos políticos, o que permitiu que governadores e prefeitos nomeassem familiares para secretarias estaduais e municipais. O atual recurso em análise contesta uma lei da cidade de Tupã (SP) que, indo na contramão da jurisprudência do Supremo, proibiu tais indicações em 2013.

Apesar de a Corte ter formado, em novembro do ano passado, uma maioria de seis votos a favor da manutenção das indicações políticas, o cenário sofreu uma reviravolta na sessão de hoje. O relator do caso, ministro Luiz Fux, optou por revisar seu voto inicial e passou a defender que a nomeação de parentes para cargos políticos também configura nepotismo, questionando a necessidade ética de tais escolhas no serviço público contemporâneo.

O novo entendimento de Fux foi acompanhado pelos ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia. Em seu pronunciamento, a ministra Cármen Lúcia enfatizou o combate ao patrimonialismo e à impessoalidade, citando a carta de Pero Vaz de Caminha como exemplo histórico da cultura brasileira de buscar benefícios para familiares no Estado. A mudança de postura do relator e a adesão de seus pares motivaram o pedido de vista de Gilmar Mendes, suspendendo a decisão final sobre o tema.

*Fonte: Agência Brasil