Política · entenda

Senado aprova criação do crime de ‘vicaricídio’, com pena de até 40 anos

Nova lei visa punir responsáveis por matar filhos com objetivo de atingir mães.

Após já ter passado também pela Câmara, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). - (crédito: Carlos Moura/Agência Senado)
Após já ter passado também pela Câmara, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). - (crédito: Carlos Moura/Agência Senado)

O Senado Federal aprovou, nessa quarta-feira (25/3), um projeto de lei que inclui o “viracidídio” no Código Penal. O “vicaricídio” é  o assassinato praticado contra filhos, pais ou dependentes diretos de mulheres, com o objetivo de atingi-las. Após já ter passado também pela Câmara, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Matar descendente, ascendente, dependente, enteado ou pessoa sob guarda ou responsabilidade direta da mulher, com o fim específico de causar-lhe sofrimento, punição ou controle, no contexto de violência doméstica e familiar”, diz o texto. 

O projeto também inclui o “vicaricídio” na lei de crimes hediondos e na legislação sobre violência doméstica. As penas previstas são de 20 a 40 anos de reclusão, com possibilidade de aumento. Caso o crime tenha sido praticado na presença da mulher a quem se pretende causar sofrimento; contra contra criança ou adolescente, pessoa idosa ou com deficiência; ou em descumprimento de medida protetiva de urgência, as penas poderão ser aumentadas em um terço. 

O texto original foi proposto pela deputada federal Laura Carneiro (PSD-RJ). A proposta foi aprovada no contexto de crimes contra crianças como forma de punição a mulheres. Em 12 de fevereiro deste ano, o secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Naves Alves Machado, atirou contra os dois filhos. Um deles morreu na hora. O outro, após sofrer morte cerebral, em um hospital. Em seguida, Machado tirou a própria vida. O crime foi cometido após um pedido de separação da mãe dos meninos e então mulher do secretário. 

* Correio Braziliense