A partir deste sábado, 14/03, a pré-campanha para o governo do Maranhão ganha um ritmo mais acelerado com o lançamento da candidatura do emedebista Orleans Brandão. É o primeiro ato concreto da disputa que se mantém embaraçosa nos demais campos políticos, principalmente no grupo que faz oposição ao governo Carlos Brandão, que pode anunciar no mesmo evento, a sua filiação ao MDB. O partido quer reunir dezenas de parlamentares, prefeitos, lideranças municipais e simpatizantes mobilizados em todos os recantos do Estado, com previsão de 30 mil pessoas no Multicenter Sebrae.
Esse evento tem três significados: 1) a candidatura de Orleans é irreversível; 2) o governador Carlos Brandão vai ficar no Palácio dos Leões até o fim do mandato; e 3) mostrar para o distinto público maranhense que, apesar de ser estreante na política, Orleans tem uma base eleitoral consolidada em todo o Estado e independe do apoio do PT.
Na outra faixa política, o grupo de oposição na Assembleia Legislativa, liderado pelo deputado Othelino Neto, resolveu jogar unido nas bases eleitorais, mas vivendo a indecisão do prefeito Eduardo Braide sobre a disputa do governo, e sem saber para onde vai Felipe Camarão (PT).
Seja como for, no campo contrário a Orleans não há espaço para duas candidaturas viáveis ao Palácio dos Leões. O presidente do PSD Gilberto Kassab quer porque quer colocar Eduardo Braide no jogo estadual. Mas ele não demonstra nenhuma pressa em bater o martelo e partir para o confronto. Como um político que tem mostrado o jeito particular de tomar decisão sem consultar o entorno, adota a estratégia da indiferença às pressões de partido ou de grupo que, no entanto, espera decisão.
Daí a explicação para a demora em anunciar o seu futuro em 2026, com tão pouco tempo à frente para deixar a prefeitura à vice Ismênia Miranda – até 3 de abril –, ou ficar no mandato inteiro.
Para o PT apoiar Braide terá que debandar das quatro secretarias que ocupa no governo Carlos Brandão, mesmo assim tudo será decidido pela direção nacional, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas se a decisão for para entrar na composição do MDB de Orleans, na prática, estará despachando Camarão do PT. Fazendo isso, a confusão estará formada na eleição presidencial no Estado. Lula pode nem arriscar vir ao Maranhão, e Orleans também ficará sem um candidato ao Planalto em seu palanque.
O senador Flávio Bolsonaro do PL pode reforçar o palanque de Lahesio Bonfim que, anda distanciado da corrida que promete participar na tentativa de puxar o bolsonarismo para sua plateia.
Até o momento, Orleans muito forte. Da mesma forma que, se Felipe Camarão e Eduardo Braide entrarem na disputa do Palácio dos Leões, o representante do MDB será o maior beneficiado. Primeiro por ser de centro-direita, jovem e contar com a camaradagem da máquina de fazer voto operando a seu favor. Também porque Braide é um nome admirado pelas correntes que se identificam com Orleans. A diferença é a estrutura político-partidária entre os dois.
Orleans quer colocar onze partidos em sua festa de lançamento, com comitivas deslocadas de dezenas de municípios. Já o prefeito Braide tem a força agregada a sua pessoa, ao governo que realiza e o jeito de fazer política desagrupado.
Além de ser o único prefeito do PSD maranhense, Braide enfrenta a desarmonia da Câmara de Vereadores de São Luís, onde atua uma maioria esmagadora nada cordial com o Executivo. Ademais, sobram enormes ajustes nos cargos majoritários tanto do lado de Orleans, quanto do PT, do PSD de Braide e do Novo de Lahesio Bonfim.
No Maranhão, o partido que mais elegeu prefeito foi o PL, de Josimar do Maranhãozinho (40), que ninguém sabe com quem vai; seguido do MDB de Orleans (38); PP de André Fufuca (30), União Brasil de Pedro Lucas (26), PSB de Ana Paula Alves (19) e PDT de Weverton Rocha (18). Resta saber como estão esses prefeitos e seus parlamentares perante o eleitorado em outubro.