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Justiça determina cerco ao lixo para evitar colisões com urubus no aeroporto de São Luís

MPF obtém decisão que obriga Prefeitura, Estado, Infraero e CCR Aeroportos a eliminarem focos de atração de aves na Área de Segurança Aeroportuária (ASA)

Justiça determina cerco ao lixo para evitar colisões com urubus no aeroporto de São Luís

Uma decisão da Justiça Federal, movida por ação do Ministério Público Federal (MPF), estabeleceu um cronograma rigoroso de intervenções para reduzir o risco de desastres aéreos no Aeroporto Internacional Marechal Cunha Machado. O foco central é o combate à proliferação de urubus e outras aves, atraídas por depósitos irregulares de resíduos sólidos no entorno da pista. A medida atinge diretamente a Prefeitura de São Luís, o Governo do Estado, a Infraero e a concessionária CCR Aeroportos.

Obrigações da Prefeitura e do Estado

O município de São Luís recebeu o prazo de 90 dias para apresentar um plano de ação focado na eliminação de lixões viciados em áreas críticas como Vila Cascavel, São Raimundo e Avenida José Sarney.

Além disso, a prefeitura tem 60 dias para regularizar e manter vigilância permanente na coleta de resíduos do Mercado do Peixe e do Portinho. Caso novos pontos de descarte não sejam removidos em até 48 horas, o município estará sujeito a uma multa diária de R$ 5 mil.

Já o Governo do Estado do Maranhão deverá implementar um cronograma anual de fiscalização ambiental. O objetivo é vistoriar empreendimentos que atraem fauna, como frigoríficos, matadouros e hortomercados situados na Área de Segurança Aeroportuária (ASA). O descumprimento das vistorias e sanções pode resultar em uma multa pesada de R$ 500 mil.

Responsabilidades da Infraero e CCR Aeroportos

A gestão do perímetro do aeroporto também será reforçada. A Infraero e a CCR Aeroportos devem elaborar um laudo técnico sobre as vulnerabilidades do muro do aeroporto que facilitam o descarte clandestino de lixo.

  • Infraero: Responde pelos danos ambientais acumulados até novembro de 2021.
  • CCR Aeroportos: Terá 180 dias após o laudo para executar obras de reparo no muro e implantar um sistema permanente de gestão de efluentes e resíduos.

A decisão judicial visa garantir a segurança de milhares de passageiros que utilizam o terminal maranhense mensalmente, combatendo o chamado “perigo aviário”. As multas pelo descumprimento injustificado das obrigações variam de R$ 1 mil a R$ 5 mil por dia, com tetos que chegam a R$ 300 mil. A sentença ainda cabe recurso.