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Dia das Mães

Sonho da maternidade: o parto como um ato de empoderamento

A descoberta da gravidez, a ansiedade e a felicidade andam juntas, com o anseio de conhecer esse novo ser que vem crescendo.

Reprodução

O sonho da maternidade é algo que diversas mulheres têm vontade. Quando ocorre a descoberta da gravidez, nesse momento a ansiedade e a felicidade andam juntas, com o anseio de conhecer esse novo ser que vem crescendo, principalmente quando se é ‘mamãe de primeira viagem’. Mas com todo amor, felicidade e ansiedade, existe também o medo de errar e de se sentir insuficiente, entretanto, o principal medo é o do tão temido parto. Pois, fazer daquele momento especial é o sonho de toda mãe, para que seja lembrado com carinho.

A enfermeira obstetra e doula, Danielle Lima, tem esse objetivo em seu trabalho desde 2011 de realizar o auxílio de muitas mulheres para que elas possam ter autoconfiança e se empoderar de seus partos, para terem um parto de forma respeitosa, positiva, consciente e prazerosa, fazendo com que aquele momento tão tenso do parto, se torne bom e que seja da forma mais natural. A obstetra que em seu Instagram mostra o seu trabalho e de que forma faz o auxílio às famílias, através de diversos cursos, conta que se apaixonou pela obstetrícia ainda na faculdade e se encantou pelo parto natural.

(Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu me apaixonei pela obstetrícia enquanto eu ainda quando era acadêmica de enfermagem. Naquela época quando eu me formei a 12 anos atrás a assistência ainda era muito medicalizadas, os partos na maioria das vezes eram atendidos pelo profissional médico cheio de intervenções, a mulher paria de perna para cima em uma perneira, muitas com pessoas empurrando a barriga dela, cortando a vagina dela sem necessidade, colocando oxitocina sem precisar. Nas poucas vez que eu tive a oportunidade de ver uma mulher parindo sem a intervenção médica, especialmente mulheres que já tinham tido experiência de parto em situações onde o plantão estava muito cheio, sempre era muito rápido, mas mesmo assim eu tive a oportunidade de olhar a verdadeira beleza do nascimento. E me questionava o por quê, não era sempre daquela forma, simples. Depois disso comecei a estudar e me especializar no assunto onde a assistência de parto era diferente, encontrei o IMIP (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), que foi onde eu fiz minha residência em obstetrícia, onde eu passei dois anos da minha vida, não só estudando através da residência mas acompanhando parteiras tradicionais, e procurando centro de referências no Brasil. Conheci o Sofia Feldman um Centro de Parto Normal Humanizado, que fica em minas, que também é uma referência” afirma a enfermeira.

O índice de violência obstétrica (VO) tem variado entre 18,3% a 44,3%, segundo estudos de base populacional realizados no Brasil (1,2). Apesar da alta prevalência, existem poucos estudos epidemiológicos nacionais abrangendo essa temática. Na última década, o interesse por essa forma de violência contra a mulher tem crescido devido por conta de diversos grupos de mulheres que tentam resgatar a fisiologia do parto e protagonismo da mulher nesse momento tão especial da vida.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) o Brasil é o segundo país com o maior índice de cesárea do mundo, cerca de 55%, porém quando depara-se exclusivamente com o sistema privado de saúde do país, esses índices chegam a 86%. Ainda segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa ideal de cesarianas deveria estar entre 10% a 15% dos casos. Enfatizando que muitas mulheres acabam optando pela cesariana, muitas vezes pela falta da informação, por ser de certa forma mais rápido, entretanto muitas vezes essa cesariana acaba vindo cheia de violência e a felicidade dessa mãe, acaba sendo roubada.

“Eu considero você ter informação e ter pessoas próximas de você que tenham dito experiência exitosas, deixa qualquer mulher mais segura e com vontade viver essa experiência, também de conhecer os possíveis desafios e preparar para eles previamente, para que na hora tanto de gestar, quanto de parir, você viva essa experiência com mais plenitude e mais entrega”, diz a Danielle lima.

Doula e parto natural

A Doula é uma profissional contratada para estar presente na cena do pré-parto, do parto e também no pós-parto, seja ele natural, normal ou cesárea. Ela tem como objetivo orientar, dá suporte físico e emocional para a gestante, auxiliando no processo de satisfação em relação aos momentos que envolvem a gestação e o nascimento do bebê e da nova mamãe.

(Foto: Arquivo Pessoal)
(Foto: Arquivo Pessoal)

“Eu fico com essa mulher desde o início do trabalho de parto, oferencendo vigilância, ouvindo o coração do bebê, fazendo exame de toque, verificando os sinais vitais, vigiando para garantir que está tudo bem mostrando que é um local seguro para ela e para o neném. Fazendo com ela passe pela experiência do parto, mas com conforto, da maneira mais leve e preferida, através dos métodos não farmacológicas de alívio da dor, como a massagem, a respiração, a movimentação, aromaterapia, são inúmeras as ferramentas que pode ser utilizado durante o trabalho de parto, mas vai depender muito para cada mulher, pois o parto nunca é igual, ele vai ser diferente para cada mulher”, afirma.

Em sua vida, a enfermeira Danielle sempre quis viver a plenitude e a experiência excepcional do parto normal e natural.
Mas para ela chegar nesse momento mas pleno, teve que passar por dois abortos espontâneos e uma gestação de alto risco, que acabou resultando em um parto cirúrgico emergencial e o bebê que nascendo prematuro, acabou não resistindo. Dois anos após todo esse momento de tristeza, ela conseguiu realizar o seu sonho de ser mãe e ter o parto que tanto sonhou, que ela conta que mandou muito sua vida.

“Dois anos depois eu tive a Bia de parto normal. Tive uma gestação saudável e fui agraciada com o parto normal, que era algo que eu deseja muito. Por que eu percebo a diferença que faz, a mulher passar por essa experiência. Eu considero que a experiência do trabalho de parto e do parto é como se fosse uma preparação natural, para o que a gente vai enfrentar de desafios depois que se torna mãe. Pois, todas as habilidades que a gente precisa na maternidade, a gente treina isso no trabalho de parto (…) tem que trabalhar muito a nossa paciência, a nossa aceitação, a nossa resiliência pois as vezes as coisas não saem como a gente desejava, além de trabalhar nossa força por conta da dor e do desgaste demorado. O meu trabalho de parto por exemplo foi bem demorado, durou 28h, então tudo que eu precisei trabalhar no meu trabalho de parto eu uso hoje como mãe, pois ‘maternar’ e ser mãe é isso, vivendo e aprendendo”, observa a Doula.

Além de todo seu trabalho como enfermeira e doula, ela também oferece diversos cursos para dar o auxílio e leveza ao parto, para famílias de primeira viagem. Entre os serviços oferecidos tem a despedida da barriga, onde vai existe a despedida de desse momento anunciando que o bebê pode a qualquer momento nascer. Muitas mulheres optam por esse momento para dar leveza e coragem para o parto, com o intuito de se sentirem confiante e fazer daquele momento especial. Além disso ela dar dia para as mulheres que estejam gravidas, aproveitarem a gestação por ser um momento único.

(Foto: Arquivo Pessoal)

“Esse ritual marca aquele momento, que a partir agora o bebê poderá vir a qualquer instante. Logo é um ritual que vai ajudar a mãe a se conectar com essa criança e o processo que está por vim, se preparando para recebe-lo a qualquer momento. É um momento muito bonito onde vai existir uma conexão também entre as pessoas que irão prestar esse apoio para essa mulher durante e após o parto, demonstrando todo amor e carinho pelo bebê e pela pessoa que o carrega (…) A primeira grande dica que eu dou para mãe de primeira viagem é aproveite a gestação, eu costumo dizer que a gestação, a maternidade é um portal sagrado que se a gente se permite, a gente pode curar muitas coisas dentro de nos além de se autoconhecer de uma forma única, onde a maternidade vai potencializar essas mudanças”, diz a também mãe, Danielle.

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