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No Maranhão

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SAÚDE

Metas e desafios: Saiba tudo sobre a vacinação no Maranhão 

Veja a divisão das vacinas no estado, duração de fases, quem pode ou não tomar, dentre outras dúvidas

Foto: Julyane Galvão.

Diante dos obstáculos da pandemia a serem superados em um curto período, a tarefa de imunizar a população se tornou prioridade máxima no mundo inteiro. Chegando ao marco de 9 milhões de infectados e 221 mil mortos, o Brasil obteve complicações após falhar no planejamento de vacinação ao apostar inicialmente em apenas um tipo de vacina, ficando atrás de diversos países na obtenção dos imunizantes.

Apesar disso, o processo de imunização no Maranhão foi iniciado mediante o plano nacional de vacinação. Até esta quarta-feira (27) 49.862 mil pessoas já foram vacinadas em todo o estado. Foram 164.240 mil doses da CoronaVac e AstraZeneca juntas, recebidas em janeiro, que imunizarão 77.981 mil maranhenses.  

À esquerda: Carlos Lula/ À direita: Joel Nunes. Fotos: Walber Oliveira.

Para explicar melhor sobre a vacinação no Maranhão, a redação do jornal O Imparcial entrevistou o secretário de estado de Saúde, Carlos Lula, e o secretário municipal de Saúde de São Luís, Dr. Joel Nunes, que apontam aspectos importantes do processo, desde a logística da vacina, às aplicações, dificuldades, prioridades e planos.

Imunização efetiva

Foto: Divulgação.

Para que uma vacina contra a covid-19 seja efetiva em sua utilização, é necessário que duas doses sejam aplicadas em cada pessoa. Processo que pode ter o período diferente a depender de cada vacina, a CoronaVac, por exemplo deve ser aplicada a 2ª dose 28 dias após aplicação da 1ª dose.

Segundo o secretário de estado de Saúde, Carlos Lula, para que o estado do Maranhão seja efetivamente imunizado com a vacinação de pelo menos 70% da população, são necessárias 10 milhões de doses da vacina. Além disso, devido à dificuldade de obtenção e a pouca quantidade de vacina, esse procedimento pode durar mais de um ano.

Desafios e metas

Vacinação em São Luís. Foto: Divulgação Prefeitura de São Luís.

A resposta imediata dos secretários sobre o maior desafio da campanha de vacinação foi a mesma: obtenção e a pouca quantidade da vacina. A posição do Brasil na largada da corrida para adquirir as vacinas se tornou um problema estrutural, acarretando diversos problemas na execução do plano de vacinação, como o baixo número de doses disponíveis para a população.

Fazendo uma aproximação ao contexto do Maranhão, a quantidade de vacinas recebidas até o momento ainda se aproxima de 10% da quantidade necessária para imunizar todo estado, situação que deve mudar nos próximos meses com a previsão da chegada de um número maior de doses das vacinas.

Carlos Lula explica que a postura inicial do governo federal ao apostar em uma única vacina atrasou o plano de vacinação:

“Quando você aposta em uma vacina só e ela se atrasa em relação as outras, e você tenta comprar a vacina que deu certo, já existe uma fila na sua frente, então você ainda precisa encontrar um lugar na fila. Países como Japão, Estados Unidos e União Europeia foram os primeiros a negociar com vários laboratórios para adquirir várias vacinas, a que tivesse dado certo primeiro já seria utilizada na imunização, por isso eles iniciaram primeiro que todo mundo”, explicou o secretário.

Os secretários apontaram como a principal meta ser a vacinação a maior parte da população no menor tempo possível, procedimento este que ainda não tem definições, mas que pode demorar mais de um ano a depender da disposição das doses. “Aos poucos vamos imunizando a população, o ideal seria que houvesse muitas vacinas, mas essa não é a situação, nosso foco é vacinar o mais rápido possível a maior parcela da população”, afirma Carlos Lula.

Joel Nunes, secretário municipal de Saúde de São Luís reitera e afirma que o quantitativo das vacinas é pequeno comparado a demanda de vacinação.

“Para ter uma ideia, na primeira fase temos a vacinação dos profissionais de saúde, só em São Luís são 48 mil profissionais e até o momento recebemos 28 mil doses, chegamos a um pouco mais da metade do necessário para finalizar a primeira fase. A meta é vacinar quanto mais possível, aqui (no Centro de Vacinação de São Luís) chegamos a conseguir vacinar quase 4 mil pessoas em um único dia, quantidade que ultrapassou o que tínhamos estabelecido, que era 3 mil e superamos com aproximadamente 3.890 mil pessoas vacinadas.”

Como está sendo a logística da distribuição de doses por todos os municípios do Maranhão?

Entrega de vacinas. Foto: Julyane Galvão.

Carlos Lula conta que foi adotada uma logística de emergência, planejada juntamente com a Secretaria de Segurança Pública. “Ao invés de utilizarmos o transporte terrestre com a frota de veículos estadual, que dura em média três semanas para atender todos os municípios, passamos a utilizar o transporte aéreo com aviões e helicópteros, processo que se consolida em 36h de operações.”

Os primeiros lotes da CoronaVac e AstraZeneca são suficientes para finalizar a primeira fase da vacinação em São Luís?  

Foto: Divulgação Prefeitura de São Luís.

A primeira fase da campanha de vacinação do plano nacional é voltada prioritariamente aos profissionais de saúde atuantes. Segundo o secretário municipal de Saúde de São Luís, Joel Nunes, são 48 mil profissionais na Capital Maranhense, número superior se comparado às doses já recebidas na cidade.

“Fazendo um resgate numérico, recebemos inicialmente 13.286 mil doses da CoronaVac, com isso vacinamos 13.286 mil pessoas, depois recebemos 15.290 mil doses da AstraZeneca, chegando a 28.576 mil doses de vacina. A imunização dos profissionais só seria finalizada logo caso São Luís recebesse todas as 20.500 mil novas doses da vacina destinadas a todo Maranhão, situação que não irá acontecer, devido a percentagem de distribuição dos municípios.

Para que servem as doses remanescentes (não contabilizadas para aplicação)?

Uma dúvida foi levantada mediante os números de doses disponibilizadas e a quantidade de pessoas que seriam vacinadas, onde havia um número sobrando, inicialmente uma sobra de aproximadamente 8 mil doses. O secretário estadual, Carlos Lula, conta que esse número faz parte do número de segurança definido pelo Ministério da Saúde.

Ele ainda explica que o número de segurança é estabelecido para casos de perdas ou quebras das doses durante o transporte, por exemplo. Esse quantitativo normalmente equivale a 5% da quantidade total de doses definidas para cada estado.

Quanto custa uma dose da vacina?

Uma dúvida muito comum é o valor de cada dose das vacinas. A CoronaVac tem o custo de R$ 58,20. 46 milhões de doses dela foram compradas em um acordo entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan no valor de R$ 2,7 bilhões.

Os R$ 50 milhões mencionados para a compra de vacinas serão utilizados?

Há alguns dias o Governo do Maranhão afirmou que existe a quantia de R$ 50 milhões para compra de vacinas para o estado. Carlos Lula explica que essa quantia está separada para acelerar o processo de vacinação. “Nós não queremos competir com o Ministério da Saúde, e sim ajudar no processo de imunização previsto no plano de vacinação nacional.”

Ele conta que o capital pode ser usado estrategicamente para ganhar tempo, como exemplo a vacinação de professores, para que haja o retorno das aulas na rede pública de ensino.

Além disso, o secretário também conta que o governo maranhense ainda não conseguiu efetivar a compra de nenhuma vacina, mas afirmou que há busca e possui interações com diversos laboratórios de diferentes vacinas, como a própria CoronaVac, a AstraZeneca, Pfizer e Sputnik V.

Sobre o processo de vacinação, há previsões para o fim da primeira fase da campanha?

Foto: Divulgação/ Governo do Maranhão.

O secretário de estado de Saúde conta que estão solicitando ao Ministério da Saúde para que não haja vazios durante a campanha, ou seja, evitar que passe uma ou duas semanas sem vacinação. “Temos a previsão de receber mais um lote da CoronaVac pelo Instituto Butantan, estamos aguardando a liberação da ANVISA.”

Por outro lado, em São Luís, com a chegada esperada de novas doses da vacina, a primeira fase está prevista para finalizar na primeira semana de fevereiro, sendo concluída em três semanas ao invés de sete, como estava previsto no plano.

Quais são as novas medidas para a campanha em São Luís?

Criamos um plano de contingência de São Luís. O plano que tínhamos inicialmente foi atualizado em novembro de 2020, e teve de ser reformulado mediante o novo panorama da covid-19. Criamos um plano de contingenciamento mediante as novas necessidades da cidade.” Afirma Joel Nunes.

O Plano Municipal de Vacinação contra a Covid-19 lançou uma plataforma para cadastramento de idosos a partir de 75 anos que serão vacinados contra a Covid-19. O idoso ou responsável deverá preencher um formulário disponibilizado na página da Prefeitura na internet, onde deverão ser incluídas todas as informações necessárias para efetuar o cadastro.

Após o cadastramento, a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) entrará em contato, informando o dia, local e horário em que o idoso receberá a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Formulário pode ser acessado no endereço: www.saoluis.ma.gov.br/vacinasaoluis.

Para fazer o cadastro o idoso, seu familiar ou outro responsável deverá acessar o seguinte endereço: https://www.saoluis.ma.gov.br/vacinasaoluis. No formulário, o usuário deverá cadastrar todas as informações solicitadas para que as equipes da Semus façam a triagem e iniciem os contatos telefônicos para o agendamento da vacinação. Entre as informações que deverão ser cadastradas estão nome completo, data de nascimento, número de telefone, e endereço residencial.

A inclusão dos idosos acima de 75 anos nesta nova etapa do Plano Municipal de Vacinação foi possível porque São Luís recebeu esta semana mais de 15 mil doses da vacina Oxford/AstraZeneca e nos próximos dias devem ser disponibilizadas também novas doses da Coronavac. Desta forma, a Prefeitura de São Luís está podendo avançar na imunização, seguindo as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

Os idosos que receberão a dose da vacina da Oxford/AstraZeneca serão imunizados com a segunda dose após três meses. Já os que receberem a Coronavac, deverão ser imunizados com a segunda dose em três semanas. Todos aqueles que receberem a primeira dose têm a garantia da segunda dentro do prazo devido.

Como fica a situação de pessoas que furarem filas?

O Dr. Joel Nunes lamenta a situação: “Estes problemas, infelizmente, sempre vão acontecer no Brasil.” No entanto, para o problema nas filas seja reprimido ao máximo, em São Luís, foram criadas duas triagens no Centro de Vacinação Municipal.

“Se por ventura ainda assim acontecer (pessoas furando a fila), assim que essa denúncia formal chegar à Secretaria Municipal de Saúde, ela será levada imediatamente ao Ministério Público – MP para que sejam tomadas todas as medidas cabíveis.” afirma o secretário Joel Nunes.

O que pode acontecer com alguém que furou a fila?

Sansões que vão desde perda de emprego até prisão. Se trata de uma conduta do MP, onde a Secretaria Municipal de Saúde é encarregada de identificar, receber a denúncia formal e encaminhar para a promotoria.

É verdade que pessoas que furaram a fila não receberão a vacina? 

Desde que os casos de pessoas furando fila ganharam visibilidade, muitas pessoas ficaram em dúvida sobre a punição do crime, dentre elas a não vacinação da pessoa.

“Do ponto de vista do Sistema Único de Saúde – SUS, é uma medida impraticável, já que o SUS é universal. O ato de não garantir a vacina ou até mesmo a segunda dose seria uma medida passível de judicialização, no momento não temos essa informação. Se vier uma medida judicial nesse sentido, teremos de cumprir, mas até agora não chegou nada a respeito.” Conta o Dr. Joel Nunes.

Houve algum caso de reação adversa grave em São Luís?

O secretário de Saúde de São Luís assegura que até o momento nenhum evento adverso relacionado a vacina foi informado à Secretaria, e que há uma comissão para isso e até agora não houve nenhum registro de reação adversa grave relacionada à vacinação.

Como serão as fases da vacinação do Maranhão

A vacinação, mediante o plano nacional, será cumprida em três fases, onde a 1ª Fase é destinada aos profissionais de saúde, idosos em locais de longa permanência, pessoas institucionalizadas com deficiência e indígenas em terras próprias. Este processo será concluído à medida que as doses forem chegando ao estado, mas cada fase tem a previsão de durar sete semanas.

  • Primeira etapa – Parte 1: Profissionais da saúde atuantes da linha de frente contra Covid-19 e idosos com mais de 60 anos que estão em asilos ou abrigos.
  • Primeira etapa – Parte 2: Demais profissionais de saúde
  • Segunda fase: Pessoas em geral acima de 60 anos
  • Terceira fase: Inicialmente, serão vacinadas pessoas que apresentam alguma comorbidade. Entretanto, segundo a Semus, outros grupos também devem ser vacinados na terceira fase como trabalhadores da educação, pessoas com deficiência permanente severa, membros das forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema de privação de liberdade, trabalhadores do transporte coletivo, transporte aéreo, transportadores rodoviários de carga, população privada de liberdade e pessoas com deficiência permanente e população em situação de rua.

Quantas pessoas vão ser vacinadas nestas três fases no Maranhão?

O número previsto é que 1,75 milhão de pessoas serão atendidas com a imunização

Onde serão os locais de vacinação?

Os locais de vacinação são estabelcidos pelas prefeituras das cidades do Maranhão. Na capital maranhense, o local de vacinação inicial é no Centro Municipal de Vacinação contra a Covid-19, localizado no MultiCenter Sebrae, no bairro Cohafuma, região metropolitana de São Luís. Para idosos em locais de longa permanência a vacinação é feita nos próprios abrigos.

Quem não pode tomar a vacina?

A vacina não é indicada para pessoas com menos de 18 anos, gestantes e quem possuem reação anafilática confirmada a qualquer componente da vacina.

Após a vacinação ainda é necessário o uso de máscaras?

As recomendações são para continuar utilizando as máscaras, bem como manter o distanciamento social e higiene das mãos. Estas medidas irão acabar quando toda a população dor vacinada.

Todos serão vacinados? Se sim, quando?

De acordo com o Ministério da Saúde, toda a população será vacinada, porém apenas após a conclusão das 3 primeiras fases do plano de vacinação, tendo data divulgada posteriormente.

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