INVERSÃO DE PAPÉIS

Dia dos pais: quando os pais se tornam filhos

No começo, uma criança tem os cuidados do pai. Porém, quando o pai chega à idade idosa, o filho precisa cuidar dele como se fosse seu próprio… Filho! Conheça estas histórias de amor paternal

Quando se é criança é indispensável a atenção, o carinho e o cuidado de pai, mãe, ou algum responsável adulto, até que aquele serzinho tenha autonomia para cuidar de si próprio. Quando se é idoso, em geral, se volta à primeira infância, com a necessidade de alguém para ajudar em tarefas, cuidados, dar carinho, apoio emocional. É aí que entram em cena os personagens desta reportagem. Neste Dia dos Pais vamos contar duas histórias de pessoas  que hoje se veem pais de seus pais. A inversão desses papéis, para essas duas pessoas, tem sido uma honra a ser cumprida.

Mário pai e Mário filho

Foto: Arquivo Pessoal

Mário Ferreira, solteiro, jornalista e funcionário público é um dos 6 filhos de seu Mário Viana Ferreira, contador aposentado, de 84 anos, e de Lucimar Ferreira, falecida há 3 anos, quando tinha 77 anos.

Há pouco mais de 3 anos Mário, o filho, teve que se submeter a uma cirurgia no tornozelo e precisou ficar imobilizado por algum tempo. Como morava só, foi na casa dos pais que ele foi se recuperar. Mas dois meses depois, a morte repentina da mãe mudou todos os planos. Seu Mário iria ficar só. Foi então que Mário resolveu continuar na casa com o pai. Todos os outros irmãos de Mário tem famílias, trabalham o dia todo e não tem muita disponibilidade. Como Mário, o filho, já estava na casa, e estava de licença médica, ele foi ficando, ficando, e hoje, três anos depois, continua morando com o pai. No seu apartamento vai de vez em quando. “Há 5 anos o meu pai teve um problema cardíaco e desde então precisou ter um cuidado mais especial com a saúde. Com isso, ele que sempre foi dependente da minha mãe, ficou mais dependente ainda por conta do horário de medicação, consultas e exames. A minha mãe era que cuidava dele, tomava à frente das coisas da casa, cuidava de tudo. Só que há 3 anos a minha mãe faleceu e ele, que sempre foi muito dependente, se sentiu mais desamparado ainda. Porque o esteio que segurava ele, de uma hora para outra não estava mais ali”, contou Mário.

Mário, o filho, conta que até hoje, 5 anos depois do problema cardíaco, se não houver alguém para dar o remédio na hora exata, ele não toma. “Eu tenho que ficar lembrando. Faz com que a gente se ocupe cada vez mais dele. Eu tinha um ritmo de vida totalmente diferente e que foi transformada por conta dele, que não posso deixar só. Até a coisa da diversão, do lazer, já não existe mais. No começo achava mais pesado, mas hoje eu já vejo que seja uma missão me dedicar a ele”.

Os outros irmãos e parentes às vezes vão na casa, levam para passear. “Da minha parte reforço a dedicação de cada um de nós, filhos, no apoio em estarmos sempre por perto no apoio ao nosso pai, por tudo que fez por nós ao longo dos anos. E hoje nos revezamos em cuidar dele, principalmente depois do falecimento de nossa mãe, há três anos. Mesmo com dificuldade e a correria do dia a dia, cada um dá sua colaboração em estar presente junto dele”.

Para seu Mário Viana, é uma felicidade ter a dedicação dos filhos. “Me sinto feliz e recompensado por Deus e vejo isso como reconhecimento de cada um pelo amor e dedicação que eu e a mãe deles demos na criação, formação de caráter e respeito pelos pais. Agora com a idade me sinto acolhido por esse amor deles”.

O pai virou filho

Para a também jornalista e funcionária pública Waldirene Oliveira, a vida há 3 anos foi bastante modificada desde que o pai, João Francisco de Sousa, foi acometido pelo Alzheimer. Além disso, cardíaco e hipertenso, o aposentado de 86 anos teve que voltar ao Maranhão para ganhar a assistência das filhas que moram em São Luís.

Foto: Arquivo Pessoal

Waldirene tem mais 6 irmãos. Além dela, somente uma mora em São Luís. Todos os outros em locais espalhados pelo Brasil. Elas duas se revezam no cuidado com o pai. De 15 em 15 dias elas levam ele para ficar com elas no final de semana em suas casas. Nos outros dias, seu João é cuidado pela esposa, que veio com ele do Pará, onde moravam. “Realmente é uma inversão de papéis, porque ele é muito dependente da gente. Tem que ser cuidado sempre. Temos que ficar vigilantes 24h, desde o banho, a alimentação, tudo aquilo que os pais fazem quando somos crianças, agora estamos fazendo por ele, que está idoso e doente e precisa da gente”, diz Waldirene.

A jornalista conta que ele não tem entendimento da situação dele, nem tem noção de onde está por causa do Alzheimer, e deixa claro que a dependência dele é por causa da saúde, por isso, o cuidado é redobrado. “É uma inversão tanto prática, quanto emocional. Tem que ter paciência para lidar com alteração de humor dele, mas o meu pai, via de regra é muito brincalhão. E a gente se aproximou muito mais agora que mudamos nossas rotinas, fazendo uma adaptação necessária para cuidar dele, como eles fizeram quando nos tiveram. Acho que o retorno que todo filho tem que dar aos pais é esse. A gente tem que fazer esse processo principalmente quando são idosos, quando tem problema de saúde”, aconselha a jornalista.

Seu Mário e seu João tem a felicidade de terem seus filhos ao redor deles, cercando-os de cuidado e de carinho também. Ninguém está preparado para ser pai ou mãe de seus próprios pais, mas chega uma hora que é necessário. Se a sua vida for longa, um dia você pode se tornar filho do seu filho. E quando a velhice chegar, é bom poder contar com alguém que vai cuidar de você não por obrigação, mas por amor.

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