EXONERADO

Seccor pede prisão preventiva de Tiago Bardal

Há 10 anos atuando a policia civil do Maranhão, o delegado Bardal foi exonerado da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) por suspeitas de envolvimento em uma organização criminosa

Tiago Bardal. Foto: Reprodução

Após o anúncio da nova superintendente da Seic, Nilmar da Gama, o secretário de segurança pública, Jefferson Portela, confirmou o pedido de prisão preventiva requerido contra o delegado Tiago Bardal exonerado do cargo na última quinta-feira, 22, por quebra de confiança.

Bardal é suspeito de envolvimento em uma organização criminosa com grande atuação em São Luís. Ele foi encontrado nos arredores onde acontecia uma operação conjunta das polícias civil e militar que prendeu oito pessoas, entre elas militares e servidores públicos. Em uma região conhecida como Arraial, no bairro do Quebra-Pote, zona rural da capital, foi encontrada grande quantidade de mercadoria contrabandeada, além de armas e outros equipamentos bélicos.

O delegado Bardal refutou as suspeitas levantadas contra sua pessoa. “Durante dez anos, trabalhei no combate ao crime organizado. Agora não sei por que esta perseguição”, disse ele entrevista à uma rádio na manhã de ontem.

Tiago Bardal foi taxativo ao dizer que não existe nada que o incrimine ou ligue-o à organização criminosa que foi desarticulada no povoado Arraial, no distrito do Quebra-Pote. O delegado disse que nenhuma das pessoas que já foram ouvidas na Superintendência de Combate à Corrupção (Seccor) citou seu nome ou disse que o conhecia.

“Também não fui  chamado para prestar esclarecimentos e tomei conhecimento de minha exoneração através da imprensa. Como não recebi qualquer citação, estou trabalhando normalmente no meu gabinete”, disse Tiago Bardal, que na manhã de ontem compareceu na Seic, para trabalhar, normalmente.

Bardal cita que o único indício que há contra ele é o fato de ter passado pela região do Quebra-Pote, o que aconteceu duas horas antes da operação e a cerca de cinco quilômetros do local da ação policial.

Ao ser informado de que a Seccor havia solicitado à Justiça a sua prisão preventiva, o delegado disse estranhar, pelo fato de ser policial concursado com dez anos de atividade, passando por vários organismos da Segurança Pública, e possuir domicílio na capital, não se justificando tal pedido. No ano passado Tiago Bardal  foi  premiado pelo governador Flávio Dino, pelo seu trabalho em todos os órgãos por onde passou, no combate ao roubo de cargas e roubo de bancos, fazendo parte  do grupo de elite da Polícia Civil.

Contradições

Na entrevista coletiva que concedeu na tarde de quinta-feira, Jefferson Portela disse que o delegado Tiago Bardal se contradisse sobre o motivo da sua passagem pelo local. Ao ser abordado por uma guarnição militar, teria dito estar retornando de uma festa, identificando-se e sendo liberado em seguida.

O secretário Jefferson firmou que ao saber deste episódio, telefonou pessoalmente para Bardal, determinando que o referido fosse para o Quebra Porte, visto que tinha alguém se fazendo passar por ele. Recebendo a resposta positiva do próprio Bardal,Portela relatou que o ex-delegado alegou outra versão,  justificando a sua ida ao Quebra-Pote para  tratar da compra de um sítio.

Ontem, durante a entrevista cedida, o  delegado Bardal disse, no entanto, que  havia estado no Quebra-Pote a trabalho,  fazendo uma investigação sigilosa, e se recusou a dizer o nome de uma pessoa que estava em sua companhia na ocasião, o qual seria um advogado.

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Operação

No início da madrugada de quinta-feira (22), guarnições das polícias civil e militar deram início a uma operação no povoado Arraial, no distrito do Quebra-Pote, para dar combate a uma organização criminosa que iria receber um carregamento de mercadorias e armas contrabandeadas, em um barco, atracado em um porto particular.

Ao entrar na estrada principal, que leva até ao Arraial, uma guarnição abordou um automóvel em que estavam dois homens. Um dos ocupantes identificiou-se como o delegado Tiago Bardal, que disse estar retornando de uma festa.

O delegado foi liberado, e a guarnição do Batalhão de Choque comunicou o episódio ao comandante-geral, coronel Frederico Pereira, que por seu turno comunicou ao secretário Jefferson Portela.

O secretário então juntou-se com outros delegados e policiais civis e militares, que foram a um sítio no Arraial e ali prenderam  três policiais militares, um político e alguns estivadores, fazendo a apreensão de centenas de caixas de whisky e de cigarros, dois rifles calibre 44, um revólver Magnum de mesmo calibre, cinco pistolas calibre ponto 40, duas granadas, uma pistola 380 e farta munição.

Nova superintendente

Ontem, o secretário de Segurança Pública, Jefferson Portela, declarou a vacância da Superintendência Estadual de Investigações Criminais, confirmando a exoneração do delegado Tiago Bardal. Na ocasião, Portela ratificou a informação de que realmente havia solicitado a prisão preventiva do delegado Tiago Bardal, estando a solicitação sendo apreciada pelo Poder Judiciário.

Na ocasião, foi anunciado que a nova superintendente da Seic é Nilmar da Gama, delegada de carreira, com larga experiência, tendo exercido a titularidade de várias delegacias na capital e no interior do estado. Atualmente prestava serviços na Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa. Foi empossada pelo secretário Jefferson Portela, que justificou a urgência pelo fato da Seic, pela sua importância no aparelho policial do Estado, não poder ficar sem titular e seu trabalho sofrer problemas de continuidade.

Ela é conhecida por ser dura e extremamente combativa em relação à bandidagem. Tanto que já publicou em sua rede social no Facebook: “Eu nasci para ser Polícia. Polícia é Polícia. Bandido é bandido. Te amo profissão”.

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