MANIFESTAÇÃO

Além da demarcação: indígenas querem benefícios e inclusão social

A Avenida Santos Dumont amanheceu bloqueada na manhã desta quarta-feira, 22. Além de demarcação de terras, protesto é por garantia de direitos para os povos

Indígenas das etnias Gamela, Akroá e Tremembé bloquearam na manhã desta quarta-feira, 22, a Avenida Santos Dumont, no Anil, em protesto pela garantia da demarcação de terras. A manifestação ocorreu em frente à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde fica localizado o escritório da Funai, fundação responsável por atender as demandas dos indígenas. Toda a movimentação foi acompanhada pela Polícia Militar.

Foi publicada nesta terça-feira, 21, no Diário Oficial, uma portaria que institui o Grupo de Trabalho responsável pelo estudo de demarcação de terras dos povos indígenas em questão no Maranhão. Apesar da garantia, os indígenas, que ocupam o local desde o dia 6 de novembro, reivindicam inclusão social e benefícios previdenciários, informou Rosa Eliana Tremembé, uma das manifestantes.

“Em abril, aquele massacre [dos Gamela] foi apenas um ponto culminante da luta. Tem gente que ainda está doente, procurando auxílio da Funai”, explicou Rosa Tremembé, fazendo menção ao indígena que, de acordo com o grupo, teve a mão decepada, e ainda aguarda uma declaração da Fundação. “Esse rapaz não tem condições de trabalhar, ele precisa receber um benefício. A Funai se opõe, não quer assinar esse papel, está negando o direito de um indígena e isso é crime”, relatou.

Tumultos e controvérsias

Os manifestantes indígenas, acompanhados de membros da CSP Conlutas, bloquearam a avenida onde o Incra fica localizado com pedras e troncos. Enquanto o protesto ocorria, um homem furou o bloqueio com o carro, desceu do veículo e apontou uma arma de fogo aos manifestantes. Houve tumulto, mas o homem rapidamente saiu do local.

Foto: Honório Moreira

O Superintendente Regional Substituto do Incra, Rui Alcides dos Santos, informou que o Instituto não tem relação alguma com as demandas dos indígenas. “A Funai tem um pequeno escritório funcionando no nosso prédio, e por conta disso, eles ocuparam esse prédio e estão causando transtornos ao Incra, que nada tem a ver com essa demanda”, explicou o Superintendente.

O escritório em questão é, desde 2009, o prédio da Coordenação Técnica Local da Funai em São Luís, ocupado desde o dia 6 deste mês pelos indígenas. De acordo com os ocupantes, os funcionários não são impedidos de trabalhar. Nossa reportagem não localizou nenhum representante da Funai no local, e aguarda posicionamento oficial da Fundação. A sede da Coordenação Regional da Funai funciona em Imperatriz.

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