TRÂNSITO

Maranhão registra mais de 27 mil acidentes por ano

A Semana Nacional de Trânsito e nos 20 anos do CBT, dados revelam que o índice de mortes nas vias públicas e rodovias é cada vez mais assustador. No Maranhão, são 27 mil acidentes por ano

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O Detran-MA comemora a redução de 13 por cento no índice de mortes do ano passado para cá. Esse número, segundo aponta o Departamento de Educação para o Trânsito do órgão é resultado de intensa campanha educativa realizada durante o ano inteiro. Porém, apesar do aspecto positivo, o engenheiro Francisco de Assis Peres Soares, coordenador do Observatório do Trânsito, garante que São Luís precisa de um gerenciamento de tráfego mais complexo para que se evite mortes e acidentes.

“É uma cidade que, pelo formato do crescimento populacional e pelas condições financeiras, não conseguiu avançar. Hoje a cidade tem bastante veículo e as vias estão proporcionalmente menores. É importante que haja um esforço dos poderes públicos, para dentro do território de São Luís e gerenciar esse trânsito de forma mais segura. Gerenciar trânsito não é só se preocupar com veículo, mas também com pedestres. Isso é trânsito. É a liberdade de ir e vir”, garante o engenheiro.
Um sistema semafórico inteligente, maior quantidade de faixas de pedestres e passarelas são alguns itens apontados pelo coordenador do Observatório para garantir um trânsito melhor também para pedestres.

“Ainda há foco no veículo e nas vias, e pouco se pensa no pedestre. Isso é uma correção que tem que ser feita urgentemente”, atesta.

O Observatório do Trânsito é um Programa de Saúde Pública criado no âmbito da Fundação Prof. Odilon Soares – FOS, criada em 1938, com a finalidade de atuar na redução das mortes e acidentes nas estradas. A epidemia de mortes no trânsito, que mata cerca de 1,3 milhão de pessoas no mundo, levou a OMS/ONU a proclamar o período de 2011 a 2020 como a Década de Ação pela Segurança no Trânsito. A proposta da ONU é que as organizações engajadas nesse combate estabeleçam ações em cinco pilares preventivos: Fiscalização/Segurança Veicular/Infraestrutura/Educação e Saúde.

Segundo dados do Observatório, o Maranhão possui uma frota circulante em torno de 1,5 milhão de veículos. Desses, 750 mil são motocicletas. São mais de 27 mil acidentes por ano com pequenos, médios e grandes traumas. 20 mil só com motocicletas. Esse acidentes produzem quase 21 mil inválidos permanentes e mais de 1600 mortes por ano. Metade oriunda de acidentes de motocicletas (12 mortes/100 mil hab.), colocando o estado num vergonhoso primeiro lugar no ranking nacional.

Os custos para a saúde pública são altos. Estima-se uma conta em torno de 1,6 bilhão /ano. Onde 400 milhões correspondem aos gastos previdenciários, 160 milhões de indenizações do DPVAT e outros 1 bilhão para gastos em tratamentos hospitalares . Cerca de 60% dos leitos de UTI estão ocupados por acidentados de trânsito.

De acordo com os dados estatísticos da Secretaria de Segurança Pública, em agosto passado foram seis mortes no trânsito. Já neste mês de setembro, até o dia 16, sete mortes já haviam sido contabilizadas.

Avaliação
Sobre a fluidez do trânsito na capital, o engenheiro Francisco de Assis pondera algumas intervenções que têm sido feitas pela Prefeitura, citando como exemplo a da Forquilha, que, ao mesmo tempo que traz fluidez, permite a insegurança. “A prefeitura tem se mostrado bastante diligente e tem feito um bom trabalho de organização geométrica em rotatórias, e isso tem se mostrado eficiente no que tange à fluidez, mas é preciso ter um controle redobrado de fiscalização. Na obra da Forquilha, a substituição de uma rotatória para um sistema semafórico eleva o nímero de pontos possíveis de choque entre veículos de 8 para 32. Então, estamos falando de um percentual de quase 400 por cento no número de acidentes. Houve ganho de fluidez, mas perdeu-se em segurança.

Educação contribui para diminuir estatísticas
Segundo o engenheiro Francisco de Assis, é um mecanismo legal que ajudou a salvar bastante vida, mas ainda se morre bastante no Brasil. Mortes para ele, injustificáveis. Na estrada verifica-se que não há necessidade de um estudo maior, por parte do poder público em relação a essas mortes e como evitá-las. “Eu sugiro, como coordenador do Observatório do Trânsito que o governo do estado crie um órgão exclusivo para avaliação de cada acidente e medidas para que isso não se repita pelo menos naquele local e naquela circunstância. Um órgão para propor correções para que se evite novos acidentes”.