Desabamento

Estrutura do Largo de São Pedro passa por reformas

A estrutura que desabou em julho deste ano preocupa a população do bairro da Madre Deus, que cobra rapidez e eficiência nas obras

Largo de São Pedro pede reformas. Foto: Honório Moreira

O Largo de São Pedro, local da tradicional capela em homenagem ao Santo que foi também o primeiro Papa da igreja católica, parece não ser mais tão interessante quanto no período junino, quando se unem devotos e grupos da cultura em um encontro de fé e bumba-boi.

Para os moradores da Madre Deus e pessoas que por ali transitam, a capela do santo padroeiro dos pescadores está perdendo o brilho e não tem sido tratada com o devido respeito desde que uma ação da natureza causou o desabamento de parte da estrutura do Largo de São Pedro.

Depois de quase dois meses do acontecido, a população cobra eficiência e rapidez nas obras que não avançam e colocam em risco frequentadores das missas que acontecem na capela, além de servir de esconderijo para criminosos.

De acordo com o morador Oberdan Ferreira Matos, foi necessário mais de um mês para que fossem colocados os tapumes de proteção em volta da parte atingida, e, mesmo assim, segundo ele, não se observa sequer algum progresso no serviço de reestruturação do muro que cedeu. “Todo dia tem uns operários aí, mas eles não fazem nada, ficam o dia todo cavando aí, dizendo que estão procurando a profundidade do terreno para fazer uma contenção do muro. Mas eu não vejo simplesmente nada ser feito aí”.

Na opinião de Oberdan, a construção do muro e calçada que ficam em volta da capela não foi bem feita desde o início, por isso novos desabamentos podem ocorrer. “A sorte é que já passou o período de chuvas, mas, se tivesse chovendo, como seria? Iria cair a igreja com tudo. Eu acho que tem sim que ser feito um serviço maior aqui, só não pode é deixar esse tempo todo, porque está prejudicando quem mora aqui e frequenta as missas”.

O desabamento

O desabamento de parte do muro que fica ao lado da histórica Capela de São Pedro e de várias residências aconteceu na madrugada do dia 23 de julho, quase um mês após uma das principais festividades do período junino em São Luís, quando batalhões de bumba meu boi vão ao largo para pedir proteção ao santo e fazem uma festa que começa na noite do dia 28 de junho e vai até o início da tarde do dia seguinte, Dia de São Pedro. Na ocasião, escombros ficaram espalhados na parte de baixo do largo e a tragédia só não foi maior porque não havia pessoas no local quando as pedras enormes rolaram escadaria abaixo.

Os problemas estruturais no espaço, porém não são recentes. Em junho de 2013, às vésperas dos festejos juninos uma vistoria dos Bombeiros apontou a possibilidade de interdição do local por causa de problemas estruturais. Após uma segunda vistoria, o Corpo de Bombeiros liberou no dia 27 de junho, um dia antes do encontro dos bois, após reparos na estrutura metálica que estaria enferrujada. Após essas modificações, a estrutura do Largo ainda apresentava rachaduras e problemas na parte elétrica da capela que deveriam ser resolvidos após uma reforma, anunciada para o término do período junino, mas que nunca ocorreu.

O morador Oberdan Ferreira Matos ressalta que tanto o Largo onde se reúnem os batalhões de matraca quanto a capela são patrimônios históricos da ilha e devem ser preservados para as gerações futuras. “Isso aqui é uma herança para as próximas gerações da cidade, para valorizarem o que tem de bonito na cultura de São Luís. No período junino, milhares de turistas vêm aqui para ver a festa e se ficarem só empurrando para frente as obras um dia vai tudo acabar. Tem que ser feito muito mais que só o conserto do que caiu, uma reforma geral em todo o espaço”, conclui.

Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) informou que a obra no Largo de São Pedro segue em ritmo normal de execução, ressaltando que no momento, os colaboradores trabalham no muro de arrimo e que ainda será feita a contenção, recomposição e revitalização do pavimento da área afetada. De acordo com a Sinfra, o prazo para a conclusão dos trabalhos é de 60 dias.

Perigo para fiéis

Fiéis que frequentam as missas na igreja ficam apreensivos devido a proximidade da parte em que o muro desabou quase por completo. Apesar de não haver riscos de que haja novos desabamentos após a área afetada ser isolada pelo Corpo de Bombeiros, algumas pessoas diminuíram a frequência com que vão à capela.

O morador Oberdan Ferreira Matos diz que ele mesmo deixou de ir a igreja e comenta que seu trabalho também foi prejudicado pela diminuição no fluxo de pessoas. “Eu trabalho com a venda de lanches aqui mesmo, em frente a capela e se não tem gente vindo para as missas eu vendo menos. Eu também deixei de ir na missa aqui, não é que as pessoas achem que vai cair a igreja, mas sempre ficam com receio de acontecer um outra acidente ou algo assim”.

Insegurança

Outro problema apontado pelas pessoas que passam pela Rua São Pantaleão, adjacente ao local do desabamento, é a sensação de insegurança por conta da facilidade de criminosos usarem os tapumes de isolamento da obra como esconderijo.
A vendedora Renata Lima passa diariamente pelo local e diz que em determinados horários fica a mercê de ações criminosas. “Seis horas da tarde já não tem mais ninguém trabalhando nessa obra, e essa cobertura (tapumes) foi colocada muito aberta, tem um espaço onde um bandido pode tranquilamente se esconder e esperar alguém descer pela rua que nem vai ver nada. Isso aqui é um risco para as pessoas”, afirma Renata.

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