Enchentes, incêndios florestais, deslizamentos, extinção de animais, altas temperaturas, seca… Esses são só alguns dos impactos provocados pelas mudanças climáticas, um dos maiores desafios da atualidade. Seus impactos, que afetam desde a produção de alimentos até o aumento do nível do mar – aumentando o risco de inundações catastróficas – têm desestabilizado as sociedades e o meio ambiente de uma maneira global e sem precedentes.
Preocupados com as mudanças no clima que estão ocorrendo no mundo, vários governantes e instituições traçam metas e planos a fim de evitar que as consequências sejam ainda mais graves.
No Brasil, cidades sofrem com as inundações causadas pelo período de chuvas. No Maranhão não é diferente e as inundações e queimadas são apenas alguns dos impactos. No Nordeste, segundo informou a Ramboll no Brasil (empresa de consultoria ambiental), as áreas semiáridas e áridas sofrerão uma redução dos recursos hídricos, com impactos na vegetação e nas espécies, e a recarga estimada dos lençóis freáticos diminuirá dramaticamente em mais de 70%.
“Todas as cidades serão impactadas, de uma forma ou de outra”, destaca Eugenio Singer, presidente da Ramboll no Brasil, alertando: “Apesar de algumas ações pontuais, o País ainda está muito atrasado quanto à adequação às mudanças climáticas, o que pode acarretar inúmeros prejuízos nos próximos anos”.
De acordo com estudo do Greenpeace, as áreas secas do planeta sofrerão ainda mais com a falta de água. Sendo assim, a água potável, que já é escassa em algumas regiões, poderá ser motivo de mortes e de disputas políticas. Além disso, com o aumento da seca, a ocorrência de incêndios poderá ser mais frequente, ocasionando perda de biodiversidade e ameaçando a vida da população.
Segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), o Estado vem estruturando um conjunto de políticas públicas voltadas à mitigação dos efeitos das alterações do clima, como a revitalização do Fórum Maranhense de Mudanças Climáticas e a construção do Sistema Jurisdicional da política estadual de Redução do Desmatamento e Degradação – REDD+, a partir do desenvolvimento de uma economia florestal sustentável e de baixo carbono; Além disso: incentivos econômicos e tributários aos projetos de baixa emissão de carbono; monitoramento e combate ao desmatamento ilegal; fortalecimento das populações tradicionais e originárias e fomento às cadeias de valor da sociobiodiversidade e construção de salvaguardas jurídicas e sociais.
A SEMA traçou um cenário de como está o Maranhão e disse que o estado apresenta muitas vulnerabilidades em função de vários fatores e combinação, com destaque para as características naturais e a forma de ocupação de seu território.
“O Maranhão pelas suas diversidades ecológicas apresenta áreas de cerrada, caatinga, matas de transição e floresta amazônica, afetadas por diferentes fatores climáticos como secas, chuvas em excesso, ressacas e outros eventos que combinado com as ocupações humanas e as atividades antrópicas produzem uma série de problemas sociais e ambientais que requer ações de mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças”, disse
Sayd Zaidan, Superintendente de Economia Verde da SEMA.
Quanto à forma de ocupação, Zaydan disse que ela se inicia pelos ambientes de maior sensibilidade ambiental como as zonas costeiras atualmente bastante afetadas pela erosão e alteração do nível do mar; as populações ribeirinhas e das áreas alagadas que são afetadas tanto com enchentes como também pela contaminação acelerada da água doce; populações indígenas que sofrem as pressões do avanço do agronegócio e da mineração provocando uma situação de vulnerabilidade; Sistema produtivo baseado tanto na agricultura de larga escala que requer a supressão de vegetação de grandes áreas e o uso do fogo para limpeza das áreas e ainda as práticas tradicionais que se utilizam do fogo para realizar a limpeza da área dentre outros fatores.
Estado vulnerável
Já em 2016, o projeto Vulnerabilidade à Mudança do Clima apontava que os 217 municípios do Maranhão poderão ficar, progressivamente, mais quentes e mais secos até 2070. A parte oeste do estado, por exemplo, poderá ter um aumento de mais de 5°C e uma diminuição de até 32% no volume de chuvas no período indicado. Os dados faziam parte de uma pesquisa (coordenada pela Fiocruz em parceria com o Ministério do Meio Ambiente) que avaliou a vulnerabilidade das cidades maranhenses à mudança do clima.
A pesquisa feita sobre os municípios maranhenses indicou que a porção centro-oeste e o extremo norte do estado poderão ser as áreas mais impactadas pela diminuição no volume de chuvas. O município de Bom Jesus das Selvas, por exemplo, poderá ter uma redução de 32,2% na precipitação. Em cidades como Carutapera e Amapá do Maranhão é esperada uma queda de até 30% na pluviosidade nos próximos 25 anos.
De acordo com as projeções feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o período de 2041 a 2070, dados considerados para a realização do estudo, a temperatura na porção oeste do estado poderá aumentar até 5,4°C, com destaque para o município de São Pedro da Água Branca. Em cidades localizadas na porção central do Maranhão, como Barra da Corda e Jenipapo dos Vieiras, o aumento pode chegar a 4,8°C. O litoral seria a parte menos afetada, com acréscimos entre 2,8°C (em Cururupu e Porto Rico do Maranhão) e 3,3°C (em Cândido Mendes e Turiaçu).
Na capital maranhense, a temperatura poderá aumentar 3,1°C nos próximos 25 anos. Em relação ao volume de chuvas, São Luís poderá ter uma redução de 30,3% e o número de dias seguidos sem chuva pode ter uma elevação de 65,4%, diz o estudo.
Quatro perguntas – Sayd Zaidan
O que o Estado está fazendo para mitigar os impactos das mudanças climáticas?
A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais – SEMA coordena um conjunto de ações nas quais podemos destacar o programa Maranhão Verde que atua especificamente com as populações mais vulneráveis que vivem em áreas de sensibilidade ambiente articulando ações de conservação com geração de renda a partir do pagamento de bolsa verde mediante atividades de restauração e recuperação de áreas degradadas e o projeto mais Conservação e Biodiversidade do Maranhão fruto de convenio com o Ministério da Justiça com recurso do Fundo de Direitos Difusos que visa fortalecer o processo de gestão participativa nas unidades estaduais de conservação ambiental e terras indígenas, implantação de tecnologias sociais e formação.
A redução dos recursos hídricos também é um impacto. O que está sendo feito e como evitar?
A SEMA planeja e coordena a execução das políticas relativas à promoção, organização, normatização, fiscalização e controle das ações relativas à exploração e preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Estão sendo realizadas diversas atividades voltadas ao desenvolvimento sustentável e utilização justa dos recursos naturais, dentre elas podemos destacar: – Criação de Comitês de Bacias Hidrográficas em diversos municípios, que possuem um papel fundamental para a gestão estadual dos Recursos Hídricos; – Revisão e implementação de Ações do Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca do Maranhão (PAE – MA).
Até 2030, o objetivo é combater a desertificação, e restaurar a terra e o solo degradado, incluindo terrenos afetados pela desertificação, secas e inundações, e lutar para alcançar um mundo neutro em termos de degradação do solo; – Apoio a Sistemas de Prevenção e Alerta a Eventos Hidrológicos Extremos voltados para Segurança Hídrica em todas as suas dimensões; – Reativação do Fórum Maranhense de Mudanças do Clima.
O que faz o Fórum?
O Fórum foi criado com objetivo promover as discussões em torno dos problemas relacionados as mudanças do clima e ao mesmo tempo promover e incentivar políticas e práticas de mitigação, combate à desertificação e adaptação das mudanças do clima no Estado do Maranhão. Dentre as atividades que serão feitas, podemos destacar o apoio a execução da Política Estadual de Mudança do Clima, seus planos e ações correlatas; a articulação junto aos órgãos e entidades públicas estaduais com o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e com a Comissão Interministerial de Mudanças do Clima; a cooperação entre o governo, organismos nacionais e internacionais e organizações não governamentais; o estimulo a captação de recursos de fontes nacionais e internacionais para aplicação em programas e ações relacionadas às mudanças do clima; incentivar a prática de ações, políticas de fiscalização e controle das atividades emissoras de Gases do Efeito Estufa – GGE’s; Serão realizados estudos de cunho científico em parcerias com as Instituições de Ensino Superior.
Como a sociedade vai perceber os resultados das ações do fórum na prática?
Com a redução nas emissões de gases de efeito estufa; com a redução de impactos ambientais nas áreas de Desertificação; com a ampliação da rede de monitoramento ambiental do estado do Maranhão e melhoria na qualidade de vida.
Por Patrícia Cunha